Dois condomínios do Minha Casa, Minha Vida em Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio, foram invadidos pela enchente causada pela chuva que atingiu o Estado entre a noite de domingo e a madrugada de anteontem.
Os condomínios ficam localizados no bairro Parque Paulista, na região do terceiro distrito, o mais atingido pelas chuvas em Caxias. Os rios Saracuruna e Capivari transbordaram e levaram água e lixo para dentro das 389 moradias construídas no local.
Segundo os moradores dos condomínios, as casas foram entregues no começo do ano passado. “O problema foi eles (governo) ter construído as casas nesse local, que é um dos mais baixos do bairro”, disse a estudante Adrieli Portela, 15 anos. O acesso ao local só dá para fazer por barco.
No bairro, diversas casas foram tomadas pelas águas. A Marinha foi convocada para auxiliar na retirada das famílias. O Corpo de Bombeiros também auxilia nos trabalhos, que são supervisionados pela Defesa Civil do município e o governo do Estado.
Em Santa Cruz da Serra, outro bairro do distrito, dezenas de casas construídas irregularmente às margens do rio Saracuruna também foram invadidas pelo transbordamento. Próximo dali, a Prefeitura de Duque de Caxias montou um centro de atendimento às vítimas das enchentes.
A aposentada Marli Rosa dos Santos, 62 anos, contou que estava dormindo quando a água invadiu a casa. “Meu neto me acordou dizendo que havia água entrando pela porta e subindo pelo ralo do banheiro. Deu tempo só de pegar os documentos”, disse.
Ela e os demais moradores do local afirmaram que a prefeitura não deu alerta de possibilidade de enchente e tampouco informou que a permanência no local era proibida por ser área de risco. “Eles nunca vieram aqui”, disse Vanessa Pacheco Ribeiro Santos, 31 anos, que mora há 26 anos no bairro.
O prefeito de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso (PSB), afirmou que 18 mil pessoas na cidade moram em área de risco. “A intenção é retirar todas essas pessoas dessa situação. O mais importante é que as pessoas tenham consciência de que não é viável morar nas margens dos rios”, disse.