Articulistas

Deixem o papa em paz!

Orlando Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Fui batizado, crismado e me casei na Igreja Católica. Meus filhos "seguiram" a mesma trilha. Só não se casaram. Ou porque têm mais juízo que o pai, ou porque não lhe querem dar netos. Sou o que se poderia chamar de católico meia-sola. Minha fé é miúda, raramente vou à igreja, embora reze com o fervor possível quando a coisa aperta. Não pensem que me orgulho disso. Sei que faço um papel ridículo. Afinal, ou a gente acredita ou não acredita, ou a gente é ou não é. É simples assim. O complicado sou eu. Não me serve de consolo saber que milhões de pessoas agem da mesma forma.

Ante o exposto, ou seja, ante a constatação óbvia de que não sou um católico digno do nome, sinto-me à vontade para fazer um apelo de trégua aos meus semelhantes e dessemelhantes: deixem o papa em paz! Ninguém é obrigado a ser isso ou aquilo, muito menos a ser católico. A propósito, o que parece estar fazendo muito sucesso por aí são as igrejas de resultado, tipo pronto-atendimento ? você paga mais ou menos, dependendo do tamanho de seu problema, e leva a "graça" para casa.

Se você é agnóstico, ateu ou se pertence a outra religião, psiu! Não é de sua conta se o papa é contra o casamento religioso entre pessoas do mesmo sexo, aborto e freiras rezando missas. Quem lhe dá o direito de dizer aos outros como os outros devem cuidar de sua casa? É evidente que eu me incluo nesse "você". Se você é católico e está incomodado com os dogmas e fundamentos de sua igreja, é melhor pegar a viola e cantar em outros púlpitos.

Se você está irritado com o fato de o papa não ser o progressista de seus sonhos, filie-se ao PT e siga os passos dos "padres de passeata", cuja maioria é adepta fervorosa da "teologia da escravidão". O papa não moverá um dedo para impedi-lo. E talvez ainda reze pela sua alma.

O autor, Orlando Silveira, é jornalista - orlandosilveira@uol.com.br

Comentários

Comentários