Uma quantidade de documentos falsos que assustou até mesmo a polícia. Eram esses os “objetos de trabalho” de uma quadrilha desmantelada pela Polícia Civil de Bauru, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). O grupo, que é apontado como um dos maiores do interior do Estado, agia por meio de empréstimos consignados fraudulentos em nomes de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
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Neide Carlos |
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O grupo, que é apontado como um dos maiores do interior do Estado, agia por meio de empréstimos consignados fraudulentos |
A prisão ocorreu na rodovia Marechal Rondon (SP-300), anteontem, nas proximidades da base da Polícia Rodoviária. Após meses de investigações, a DIG soube que Adivaldo Messias da Silva, 41 anos, havia acabado de aplicar o golpe em Botucatu.
O acusado foi preso em flagrante pela Polícia Civil quando retornava para Bauru em seu Ford Focus, juntamente com Cleudinei José Castilho, 46 anos, e Neiva Aparecida Sant’Anna da Silva, 45. Ambos confessaram que eram os “laranjas” usados por Adivaldo. Ou seja, iam até as agências bancárias e concretizavam o golpe.
Segundo a DIG, a quadrilha conseguia empréstimos consignados usando dados de aposentados e pensionistas do INSS. “Eles iam até a agência com um documento falso em nome de um segurado. Lá, apresentavam-se como o segurado e conseguiam retirar o dinheiro de forma simples. Não havia qualquer outra medida de segurança a não ser o documento (leia mais abaixo)”, aponta o titular da DIG, Kleber Granja.
No golpe mais recente, Cleudinei e Neiva foram conduzidos por Adivaldo até duas agências do Bradesco em Botucatu. No carro, foram encontrados os frutos das ações: R$ 12.200,00.
Além do montante que estava no carro, foram localizados e apreendidos no veículo seis celulares, um tablet e documentos falsificados no nome dos supostos segurados lesados. Já em busca pela casa de Adivaldo, a polícia achou pouco mais de R$ 4 mil, centenas de fotografias 3x4, carimbos e outra grande quantidade de documentos adulterados.
“Havia fotografias 3x4 da Neiva e vários RGs e CNHs com dados de diversas pessoas, mas com a foto do Cleudinei. Apreendemos mais de 30 identificações falsas”, complementa Kleber Granja.
Informação
Até agora, as investigações não apontam o envolvimento de funcionários do INSS e nem das agências bancárias. “Porém, o que é evidente é que a quadrilha recebia informações privilegiadas do cadastro de segurados”, destaca o delegado.
O nível do envolvimento ainda será apurado, uma vez que a hipótese de segurados-fantasmas ainda não foi descartada. “Iremos investigar se os dados usados eram de segurados que realmente existem ou de cadastros que foram criados no INSS só para o golpe”.
Fora esse tipo de ação, o grupo pode estar ligado a financiamentos irregulares de veículos. Todos foram presos em flagrante por estelionato, formação de quadrilha, falsificação e uso de documentos falsificados.
Adivaldo da Silva e Cleudinei Castilho, que têm passagens, respectivamente, por estelionato e furto, foram conduzidos à Cadeia Pública de Avaí. Já Neiva Sant’Anna, que não tem registro criminal, foi para a unidade prisional de Pirajuí. “Não conseguimos mensurar quantas vítimas a quadrilha fez. Mas a quantidade de documentos apreendidos nos assustou. Era algo muito grande”, finaliza Kleber Granja.
Mais de dez saques
Apesar de a polícia ainda trabalhar na identificação das vítimas e do montante arrecadado com a série de golpes, sabe-se que a abrangência da quadrilha era grande. Cleudinei José Castilho, 46 anos, confirma o fato.
Ele chegou a narrar aos policiais que, juntamente com Adivaldo da Silva, efetuou mais de dez saques em cidades da região nos últimos meses. O modo de operação era sempre o mesmo: por meio de documentos falsos, os golpistas se passavam por aposentados e pensionistas do INSS. Em janeiro, um casal foi preso pela Polícia Civil em Jaú (47 quilômetros de Bauru) acusado de um crime semelhante. Conforme o JC apurou, pode haver ligação entre os dois casos.
Aniversário
Adivaldo Messias da Silva completa 41 anos exatamente hoje. Mas ele não tem o que comemorar. Acusado de ser o mentor do trio de estelionatários, passará o aniversário na Cadeia Pública de Avaí.
Após a prisão, teria contado que recebia cerca de 15% do montante arrecadado em cada fraude, sendo que o restante era repassado a outro membro do grupo. Este último, que ainda não foi identificado, seria o responsável pelas falsificações. Já os “laranjas” – pessoas que iam até o banco com os documentos falsos para efetuar o golpe – recebiam R$ 500,00 em cada ação.