O papa Francisco receberá hoje Adolfo Pérez Esquivel, militante de direitos humanos e ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1980. O ativista desmentiu as relações de Jorge Mario Bergoglio com a última ditadura militar argentina (1976-1983).
A informação foi revelada ontem pelo porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi. O encontro é mais uma forma de desvincular o papa das acusações de omissão e negligência no caso da prisão de dois padres jesuítas que trabalhavam em seu projeto social em Buenos Aires, na década de 1970. Eles ficaram presos por cinco meses e foram torturados pelas forças de segurança do ditador Jorge Rafael Videla. Um dia após a escolha de Bergoglio como pontífice, Pérez Esquivel disse que ele não teve culpa das prisões.
“Não considero que Jorge Bergoglio tenha sido cúmplice da ditadura, mas acho que lhe faltou coragem para acompanhar nossa luta contra os direitos humanos nos momentos mais difíceis”, disse o ativista, na última quinta.
Um dia depois, o Vaticano saiu em defesa do pontífice e disse que o argentino é vítima de uma campanha “caluniosa e difamatória” na Argentina, e chegou a citar as declarações do próprio Pérez Esquivel e de pessoas que dizem que Bergoglio protegeu perseguidos pela ditadura.