Cultura

Beatles, por favor

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 3 min

Reprodução

Primeiro disco do grupo completa 50 anos hoje

Não é o melhor disco dos Beatles. Nem o pior. “Please, Please Me” é, acima de tudo, especial. O primeiro. Aquele que, hoje, completa 50 anos. E que não tem idade.

É nesse bolachão atemporal de estreia do quarteto que está, por exemplo, “Twist and Shout” - uma das gravações mais populares dos anos 60.

O álbum tem seis regravações - inclusive a gritada “Twist and Shout” (Phil Medley e Bert Russell). E oito já com a assinatura “McCartney & Lennon” - e não “Lennon & McCartney”, como a dupla ficaria conhecida. “Disseram que assim soava melhor e eu respondi que, para mim, não”, revelaria Paul McCartney muitos anos depois. Mas foi voto vencido.

“Please, Please Me” (algo como “Por Favor, me Agrade”)  saiu pela Parlophone e foi gravado em 12 horas – que renderam 32 minutos e 45 segundos de puro rock alegre, irregular, ingênuo, desafinado, simples, empolgante. O produtor já era George Martin - um “luxo” para uma banda que tinha sido reprovada pela Deka Tapes.

Puxou a fila

O disco funciona como um “Beatles ao vivo” no estúdio. Eram os rapazes fazendo o que já executavam no Cavern Club de Liverpool desde 1961.

A capa mostra os quatro na sacada do segundo andar da EMI Records – dona do selo Parlophone -, em Londres. Anos mais tarde, com barbas e bigodes, John, Paul, George e Ringo repetiram a ideia com foto no mesmo lugar – só lançada como capa de coletânea.

“Please, Please Me” puxou a fila e  o grupo chegou ao topo das paradas inglesas. O disco também tinha “Love Me Do” – que já havia sido lançada como single um ano antes.

Vale observar que os quatro jovens amigos já tocavam desde 1957, juntos ou separados (a formação clássica dos Beatles é de 1960).

De lá para cá, essa história ainda não teve ponto final – mesmo com fim do grupo em 1970 após 13 discos, o assassinato de John Lennon em 1980 e a morte por câncer de George Harrison, em 2001.

Paul e Ringo Starr seguem na estrada. Se pedirem emprego em uma gravadora, o currículo até que é bom: ter 50 anos de disco não é para qualquer um.

 

‘Test drive’ nas ruas

Eles ouviram, mas sem saber o que era...


O JC saiu com um iPod em mãos e convidou pedestres de Bauru para ouvir trechos do primeiro álbum dos Beatles sem aviso prévio de que banda se tratava. Confira algumas reações:

Fotos: Malavolta Jr.

 

“É Beatles? Ah! Isso, que era música de qualidade. Não são como as de hoje.”

Adriana Pereira, 38 anos, vendedora de produtos sensuais, moradora no Bauru 22

“Gostei do som, boa música. Mas eu não entendi nada da letra!”

Wagner Ferreira, 66 anos, aposentado, morador na Bela Vista

“Gostei. Muito bom! Tem uma vibe dos anos 60 e 50, mas parece banda atual. Parece Arctic Monkeys, mas acho que não é, não. Deve ser banda antiga mesmo.”

Roisin Carey, 19 anos, estudante, morador na Vila Giunta

“Por que vocês tão colocando Beatles pra eu ouvir? É Beatles, sim. É sempre uma música boa!”

Carlos Chinalli, 51 anos, mecânico de manutenção, morador na Granja Cecília

 

Colaboração: Jéssica Lane

 

 

 

 

 

 

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