João Rosan |
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Luis Antônio Barreto e a mãe, Terezinha, pedem uma nova cadeira de rodas |
Um cadeirante tenta atravessar a rua na faixa de pedestres, já que o sinal está fechado para os veículos, e é colhido por um carro, que foge sem prestar socorro. Essa é uma cena fácil de imaginar em uma novela ou filme, mas anteontem foi a realidade de Luis Antônio Barreto, 34 anos, que sofreu diversos ferimentos físicos e emocionais.
Em uma conversa com a reportagem do JC na tarde de ontem, ainda muito abalado com o fato, ele contou que tudo ocorreu por volta das 21h da noite de anteontem, quando passava pelo cruzamento da rua Treze de Maio com a avenida Duque de Caxias.
“Eu tinha ido até o Centro para vender balas, porque uso esse dinheiro para ajudar no pagamento da pensão dos meus quatro filhos, e estava voltando para casa sozinho. Nesse cruzamento, parei na faixa de pedestres e o sinal estava fechado para o trânsito, então resolvi atravessar. De repente veio o carro em alta velocidade e me atropelou”, relatou, emocionado.
Segundo a vítima, ao volante do automóvel, um GM Chevete de cor vinho, estava um jovem que parou somente para dizer que estava sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH), e por isso não poderia prestar socorro.
Luis ficou caído, com grandes cortes na cabeça. Sua cadeira de rodas quebrou e agora está inutilizável. Quem o auxiliou foi outro motorista que passava no momento em que tudo aconteceu. “Esse outro motorista acionou o Resgate, que me levou até o Pronto-Socorro Central. Fiquei internado lá até hoje (ontem) às 10h. Passei por diversos exames”, acrescentou.
Dificuldades
Luis mora com a mãe, Terezinha Barreto, de 70 anos, na Vila Independência. A casa é alugada e é a mãe que trabalha para trazer sustento ao lar. “A nossa vida é muito difícil. Trabalho de cuidadora todos os dias para conseguir pagar o aluguel da nossa casa, já que a pensão que recebo é muito pequena. Essa cadeira de rodas dele era nova, ainda vou pagar a última parcela. Como vamos fazer agora? Não tenho dinheiro para comprar outra”, disse a mãe.
Em todo o tempo que a reportagem permaneceu na residência, Luis conversou com os olhos marejados. Ele contou que, no ano passado, teve sua cadeira de rodas furtada dentro do quintal de sua casa. “Acho isso uma falta de respeito e de consideração com o próximo. Já tinham furtado minha cadeira, agora que conseguimos comprar outra sofri o acidente. O jovem que me atropelou nem prestou socorro, podia ao menos ter acionado o resgate. Estou muito triste”.
O advogado Eduardo Jannone, que é coordenador do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Comude), avalia que, por mais que a situação seja complicada, é inadmissível a omissão de socorro. “Ele podia ao menos ter acionado o resgate porque o portador de deficiência tem que ser removido de maneira adequada do local do acidente, de acordo com suas limitações. Ninguém está livre de um acidente, mas nada justifica a ausência de socorro”.
O acidente
Luis Antônio Barreto perdeu as duas pernas em um acidente com um trem, em 2008. “Eu estava voltando para casa depois de um dia de trabalho, no Nova Esperança, e quando vi o trem já tinha passado. É uma situação difícil e triste”, relembra.
A mãe dele, Terezinha, 70 anos, trabalha de cuidadora para garantir um sustento digno para os dois. “Não peço ajuda para a minha família porque cada um tem sua responsabilidade. No total, são oito filhos. O Luis é o caçula. Vai ser difícil comprar outra cadeira de rodas para ele agora, por isso peço, se alguém ou entidade puder doar, nós agradeceremos muito”, finalizou. O telefone de contato de Terezinha é (14) 3021-6833.
