Bairros

IPMet não descarta novos temporais

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Arquivo JC

Está previsto pelo menos três frentes frias com capacidade para gerar tempestades em Bauru entre os meses de abril e maio

Embora o verão já tenha acabado, o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) não descarta a ocorrência de novos temporais com potencial de provocar estragos em Bauru. A Defesa Civil também enfatiza que o período de alerta segue até o dia 12 de abril para a região Centro-Oeste do Estado.

Segundo José Carlos Figueiredo, meteorologista do IPMet, com o início do outono, a tendência é de que a frequência de temporais seja reduzida, principalmente de chuvas que persistem por dias seguidos, como se viu nesta semana. Mas ele explica que, até o final desta estação, a previsão é de que pelo menos três frentes frias acompanhadas de massas de ar frio passem pela região, com grande probabilidade de gerar chuvas fortes.

“É o que deve ocorrer principalmente entre a segunda quinzena de abril e o mês de maio, quando as temperaturas caem por conta da chegada dessas massas de ar frio, que podem provocar estragos em cidades como Bauru, que não tem estrutura para suportar tempestades”, frisa.

De acordo com Figueiredo, o IPMet dispõe de alta tecnologia para detectar a aproximação de chuvas com antecedência de até uma hora. E é o instituto o responsável por comunicar a Defesa Civil sobre a possibilidade de temporais.

O órgão, por sua vez, pelo protocolo estabelecido na cidade, deve lançar o alerta à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), ao Corpo de Bombeiros e à Polícia Militar (PM). “O problema é que o município não oferece condições para que todos os agentes atuem adequadamente. O computador da Defesa Civil, por exemplo, foi doado pelo IPMet. A prefeitura diz que é difícil disponibilizar maquinários nos finais de semana. São vários entraves e não há como fazer milagre”, enumera.

Interdição

Durante a chuva de anteontem, pessoas que ajudaram a resgatar um carro que caiu em uma cratera na avenida Nações Unidas questionaram o fato de não haver interdição da Nações em momentos como esse. De acordo com a Defesa Civil, o bloqueio foi providenciado apenas em alguns acessos à via, como o da avenida Duque de Caxias, por onde trafega maior número de veículos.

“Não seria possível interditar, em pouco tempo, todas as ruas que fazem ligação com a Nações, até mesmo porque, em alguns pontos, a água poderia levar cones e cavaletes. Também não seria seguro deixar funcionários nos locais. O caminho é a conscientização da população”, frisa Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil, destacando que os motoristas devem seguir por rotas alternativas como medida de segurança logo no início das tempestades.

Consultado, o presidente da Emdurb, Nico Mondelli, destacou que a autarquia dispõe apenas de cinco funcionários para realizar, no menor tempo possível, interdições nos pontos mais críticos da cidade. Durante o temporal de anteontem, ele explica que este número de servidores não foi suficiente para dar conta de toda a demanda.

“Tivemos alagamentos na Praça Primaz Chujiro Otake (Praça do Relógio), na quadra 1 da avenida Alfredo Maia e na Nações sob o viaduto da Fepasa, que foram sinalizados. Mas não deu tempo de interditar o buraco que se abriu no asfalto na quadra 18 antes de o carro cair”, considera.


Dano acumulado

Para o presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), Nico Mondelli, os estragos provocados pela chuva de anteontem foram potencializados pelo temporal que já havia atingido Bauru na semana passada. Somente neste mês, já choveu 150,4 milímetros na cidade, o segundo maior índice dos últimos 12 anos para meses de março, atrás apenas do ano passado, quando o acumulado foi de 177 milímetros.

No dia 15 de março, vários bairros da cidade foram castigados com 36,6 milímetros de chuva. Anteontem, foram registrados mais 61,5 milímetros de precipitação.

Segundo a Emdurb, em 2011 foram instaladas 12 placas de alerta em pontos críticos de alagamento. Na época, sensores luminosos para serem acoplados a estas sinalizações também foram testados, mas não apresentaram o resultado esperado e a ideia foi abandonada.


Previsão

Segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a previsão para o fim de semana é de sol em meio a nuvens, mas sem probabilidade de ocorrência de chuvas. As temperaturas devem oscilar entre 17 e 27 graus. Pelo menos até a próxima quarta-feira, segundo o meteorologista José Carlos Figueiredo, são pequenas as chances de temporais na cidade.


Palestra

Para marcar o Dia Meteorológico Mundial, comemorado hoje, o meteorologista Carlos Magno Nascimento, fundador e presidente do Climatempo, realizará palestra em Bauru na próxima segunda-feira. Em discussão, estará o tema “Monitorar o tempo para proteger vidas e propriedades”, reflexão proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o ano de 2013.

A palestra focará a importância dos serviços meteorológicos voltados à detecção de eventos meteorológicos e emissão de alertas. O evento tem entrada gratuita, mas as vagas são limitadas. Mais informações pelo telefone (14) 3103-6030.

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