A avenida Nações Unidas amanheceu de “ressaca”, ontem, após ser castigada pela chuva que atingiu Bauru, na noite de anteontem. Em vários pontos, a capa asfáltica foi arrancada pela força das águas, que também abriu crateras, rompeu galeria e espalhou lama pela via.
Os maiores prejuízos foram provocados no trecho entre o viaduto da Fepasa e o Parque Vitória Régia, onde os reparos demandaram trabalho de cerca de 130 homens da Secretaria Municipal de Obras até o final da tarde de ontem. A previsão é de que sejam necessários mais cinco dias de tempo seco para recuperar os principais danos causados pelo temporal em toda a cidade.
Durante a chuva de anteontem, que chegou a 61,5 milímetros, um carro foi ‘engolido’ por uma cratera na quadra 19 da avenida, onde um ciclista também precisou ser resgatado com uma corda e um carro e uma moto foram arrastados pela enxurrada depois de serem parados em uma blitz de trânsito. Por sorte, ninguém se feriu.
“Estas placas de asfalto que se soltaram podem pesar toneladas e, facilmente, destruir carros ao serem arrastadas pela força da água”, alerta o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, referindo-se a pedaços de capa asfáltica que já haviam se soltado na última chuva forte registrada em Bauru, há uma semana.
Na manhã de hoje, a avenida permaneceu interditada e foi liberada parcialmente por volta das 12h30, quando grande quantidade de lama acumulada sob o viaduto da Fepasa foi retirada com a ajuda de caminhões-pipa. Mas a quadra 18 ficou bloqueada até as 17h30, enquanto funcionários do Departamento de Água e Esgoto (DAE) consertavam o rompimento de uma galeria de esgoto que provocou enormes buracos no asfalto.
Desvio
Com isso, o trânsito precisou ser desviado pela rua Joaquim Fidelis e o fluxo de veículos na avenida Duque de Caxias ficou bastante lento. De acordo com o secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, apenas ontem, cerca de 80 homens das equipes de drenagem e tapa-buracos, além de outros 50 do setor de pavimentação, trabalharam para recuperar a avenida, que já foi integralmente liberada para o trânsito.
“Calculamos que, apenas hoje (ontem), foram gastos cerca de R$ 100 mil, considerando material, pessoal e maquinário utilizados”, analisa. Além dos serviços realizados na Nações Unidas, no Jardim Europa, na quadra 3 da rua Marília, também foi concluído o reassentamento de tubos da rede de galerias que foram danificados pela força da água e a contenção da grande erosão que se formou no local.
Mas, na mesma quadra, foi necessário abrir outro buraco para consertar uma caixa de conexão que foi entupida por pedaços de tubos, o que acabou gerando acúmulo de água e destruição do asfalto.
Ações emergenciais
Outras ações emergenciais realizadas ontem foram a recuperação da estrada Santa Terezinha, na região do Parque Santa Cândida, a contenção de buracos e terraplanagem na quadra 1 da rua Nanci Rocha da Cunha, no Parque Val de Palmas, e retirada de lama na avenida Pinheiro Machado e em trechos da rua Bernardino de Campos.
Ainda na noite de anteontem, técnicos trabalharam para desobstruir um trecho da rua Benevenuto Tiritan, na Vila Santista, que foi inundado com a água que transbordou do córrego Água da Forquilha. Com o sistema de galeria entupido, lixo, entulho, lama e uma erosão tomaram conta da rua.
Já na rua Gabriel Rabello de Andrade, no Parque Jaraguá, foram removidos cerca de 50 caminhões de areia que se acumulou sobre a via. Os trabalhos serão retomados hoje, com prioridade aos bairros com ruas de terra mais prejudicados por erosões, como Parque Viaduto, Alto Paraíso, Pousada da Esperança, Vila São Paulo, Tangarás, Jardim TV, Jardim Marília, Parque Santa Cândida e Santa Edwirges.
Moradores relatam prejuízos
Embora os danos causados à avenida Nações Unidas tenham maior visibilidade, em diversos bairros os estragos provocados pela chuva também foram grandes. No bairro Pousada da Esperança, um trecho em obras para implantação de galerias na quadra 3 da rua Zenji Kawai serviu de armadilha para um carro, que acabou caindo em um buraco durante o temporal registrado na noite de anteontem.
“Estava escuro e não tinha sinalização nenhuma. O motorista não teve chance de escapar”, lamenta o morador Leandro Bovolenta, 22 anos. Já no Jardim Estoril, uma casa foi invadida pela água da rede de esgoto.
De acordo com o proprietário do imóvel, Simei Ferreira Giacovoni, os três banheiros da residência, localizada na quadra 14 da rua Floriano Peixoto, foram tomados pela água contaminada de dejetos oriunda da galeria. “Por conta de projetos malfeitos, a chuva está sendo lançada na tubulação de esgoto, que não suporta a pressão e volta para os ralos das casas. É algo que o Departamento de Água e Esgoto (DAE) deveria fiscalizar”, reclama.
No Jardim Alvorada, uma erosão que avança sobre a quadra 1 da rua Nio Miashiro há pelo menos quatro meses se expandiu durante o temporal. Segundo o morador José Marques Junior, 38 anos, o buraco, atualmente, já alcança dois metros de profundidade e ameaça um poste de iluminação pública, além de já ter deixado exposta parte da tubulação subterrânea de água.
“A prefeitura, até hoje, não fez nada. O pouco que foi feito foi por caridade por uma empresa de terraplanagem próxima do local. Para entrar e sair de carro da minha casa, tenho que fazer manobra. A cada chuva, a situação só piora”, afirma.