Bairros

Árvores na zona urbana: falta informação

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

Danos na fiação elétrica, calçadas irregulares, queda sobre residências, risco às estruturas subterrâneas de imóveis e rede de água e esgoto, entre outros problemas, diariamente são ocasionados por conta da arborização urbana. Assim como acontece na maioria das cidades brasileiras, em Bauru, muitas dessas preocupantes situações ocorrem por causa da falta de um plano de arborização.

“E isso vem de dezenas de anos. Grande parte dos problemas apontados se deve ao plantio, localização e até espécies inadequadas. Não basta apenas exigir o plantio urbano. É preciso plantar dentro de critérios técnicos que existem para isso. Embora haja esforços e boas intenções, um plano extenso e rigoroso não existe no município”, aponta o professor Osmar Cavassan, do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Segundo a engenheira florestal da Semma, Marcela Mattos de Almeida Bessa, 99% da arborização urbana da cidade está com algum erro e, por isso, há um longo caminho a percorrer. Em primeiro lugar, ela aponta que falta informação por parte da população e poder público. E, para ela, esse é o maior problema quando o assunto é arborização.

“Há muitos mitos sobre os danos provocados pelas árvores às calçadas. Tais danos estão mais relacionados ao tamanho do canteiro do que a qualquer outra coisa. Imagina você calçar 37 e usar um sapato 33? O material usado para fazer esse canteiro, o jeito como a árvore é plantada e como ela foi conduzida no viveiro também influenciam nessa questão. Somente por último vem a espécie, e a gente só ouve as pessoas falarem sobre espécies adequadas ou inadequadas”.

Marcela aponta que o maior risco de queda está atrelado ao desequilíbrio das copas por podas erradas, podas de raiz e canteiros inadequados, que lesionam a base da planta e facilitam a entrada de insetos e fungos que apodrecem a madeira. “Trincas no passeio e o tamanho, para mim, não são justificativas para retirar uma árvore, principalmente porque precisamos de espécies grandes para captar a água da chuva, ajudar na permeabilização do solo e, com isso, reduzir enchentes, entre muitos outros benefícios que as arvores trazem para o ambiente urbano”.


Plano de Manejo e Cadastramento da Arborização de Passeios Públicos

A Semma está desenvolvendo o projeto “Plano de Manejo e Cadastramento da Arborização de Passeios Públicos” nos núcleos habitacionais Gasparini e Índia Vanuíre desde o final de 2012. O intuito é expandir o projeto para outras regiões da cidade em longo prazo.

O objetivo é levantar a quantidade, o estado e as espécies plantadas nesses bairros. “Também estamos sensibilizando e orientando a população sobre o plantio e a conservação dos exemplares. As árvores precisam de bons tratos. O plantio sem manutenção adequada conduz a árvore a prejudicar o meio urbano ao invés de cumprir o seu papel ambiental, o que está acontecendo muito em Bauru”.


Saiba mais

Entre os meses de janeiro e fevereiro deste ano foram feitos 285 pedidos de corte de árvores a Semma. Destes, 159 foram autorizados e 126, indeferidos. Durante todo o ano de 2012, os bauruenses solicitaram a supressão de 1.414 árvores. Destas, 753 foram autorizadas e 661 indeferidas.


Substituição

A Semma autoriza a retirada de árvores mediante a sua substituição e após constatar que a espécie está causando algum dano ao imóvel público ou privado, está com a saúde comprometida ou, ainda, condenada por pragas.


Proibida

Na zona urbana de Bauru, o plantio do fícus é proibido porque as suas raízes danificam o calçamento, muros, parede dos imóveis e até a rede de água e esgoto. Por isso, a substituição dessa espécie está sendo autorizada paulatinamente pela Semma.


Indicadas

Ipês, quaresmeiras, resedás, pata de vaca e oiti estão entre as espécies mais usadas e indicadas.

Já a sibipiruna, muito comum em toda a cidade, não está entre as mais indicadas devido aos frequentes entupimentos de calhas por suas folhas pequenas. O mesmo acontece com o chapéu de sol, que fica muito alto por ter gostado da zona urbana. Também por causa da altura, as palmeiras não são boas espécies para lugares com fiação.


Canelinha

Algumas espécies são mais suscetíveis às pragas do que outras e estão sendo substituídas aos poucos. Na zona urbana de Bauru, destaca-se a canelinha, que não se adaptou ao meio urbano e é bastante vulnerável ao ataque da broca, praga que se alimenta de madeira.


Derrubadas

Canelinha, sibipiruna e o chapéu de sol são as espécies mais derrubadas com autorização da Semma.  


Quando procurar a Semma?

Quando um possível problema é identificado, o morador, e somente ele, deve solicitar uma vistoria junto a Semma que pode ou não autorizar a substituição da árvore. A visita acontece em até 15 dias após a solicitação. A substituição pode ser feita pela Semma, mas geralmente é feita pelo proprietário com autorização da secretaria e, em caso de emergência, o Corpo de Bombeiros é acionado.

O telefone da Semma é o (14) 3235-1128.


Fonte: Valcirlei Silva, secretário municipal do Meio Ambiente

Comentários

Comentários