Moradora da quadra 5 da rua Doutor José Maria Rodrigues Costa, no Jardim América, há cerca de um ano Ana Beatriz Trovarelli percebeu que a árvore da espécie canelinha, plantada na calçada de sua casa, está doente e tombando lentamente sobre o asfalto. Preocupada com os prejuízos e até com acidentes que a possível queda pode causar, principalmente porque carros costumam estacionar por ali, ela buscou a Secretaria Municipal do meio Ambiente (Semma) que autorizou o corte da árvore. Porém, a árvore não foi retirada porque a Companhia Paulista Força e Luz (CPFL) ainda não cortou os galhos entrelaçados aos fios.
“Percebi que a árvore está caindo não só por causa da sua posição, mas também pelas rachaduras presentes na jardineira. Aliás, ela só ainda não foi ao solo porque a jardineira a segura. Procurei a Semma, que depois de um bom tempo autorizou a substituição, com publicação no Diário Oficial e tudo. Entretanto, não consigo cortar a árvore porque a CPFL não faz a sua parte, ou seja, não retira os galhos em meio aos fios de alta tensão”, reclama.
De acordo com a moradora, ela já procurou mais de uma vez a companhia de força e luz, mas eles não apareceram para resolver a questão. “Esse é um problema que causa dor de cabeça para os bauruenses. Há quem não tenha informações sobre o assunto, já quem tem, esbarra nessa burocracia e nessa demora toda. Guardo todos os protocolos, editais... enfim, toda a documentação feita como forma de proteção, já que fui informada de que, caso ocorra um acidente com a queda da árvore, o morador é o responsável pelos prejuízos”, afirma.
‘Recebemos multa após a árvore cair’
Núcleo habitacional onde está sendo desenvolvido o projeto-piloto “Plano de Manejo e Cadastramento da Arborização de Passeios Públicos”, que objetiva pesquisar a quantidade de árvores, o estado de saúde das plantas e de que espécies são, o Gasparini é um dos bairros que mais substituem árvores em Bauru.
A família da enfermeira Ana Cláudia Pereira dormia quando, há aproximadamente quatro anos, a árvore que existia em frente à calçada caiu sobre a casa com a força dos ventos de uma forte chuva. “Foi um barulho imenso. Achei que a sala estava afundando”, lembra.
Apesar do muro abalado, da calçada destruída e de parte do telhado da varanda quebrado, ninguém se feriu com a queda da árvore de 15 metros que ficava na calçada da residência localizada na quadra 5 da Rua dos Comerciários, no Gasparini. De acordo com Ana Cláudia, o exemplar frondoso de sibipiruna não apresentava sinais de problemas, ao menos não visíveis para a família
“Os bombeiros cortaram a árvore, a prefeitura a retirou e plantamos outra muda no lugar. Mas a surpresa mesmo veio depois: recebemos uma multa por danos ambientais no valor de R$500, mas recorremos e o valor não precisou ser pago”, comenta.
Sinais
Segundo o professor Osmar Cavassan, do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), como todo ser vivo, as árvores nascem, crescem e morrem, o que significa que um dia elas vão cair, seja por conta da degradação do seu tecido vivo ou por ação de parasitas.
E há uma série de indicadores de que a árvore está doente, alguns mais visíveis do que outros. Contudo, os que oferecem mais riscos são as partes mortas das árvores, como os falhos secos, que deixam de receber nutrientes. E não precisa ser um técnico para identificar uma enormidade de plantas com galhos secos em Bauru, todos eles em condições de cair com ventos ou mesmo quando perder a ligação com o tronco.
Cupins
A preocupação do corretor de seguros Mauro Doro, também morador da quadra 5 da Rua dos Comerciários, é com os cupins que tomaram conta da sibipiruna em frente à sua casa.
“Eu já passei veneno, mas eles voltaram. Tenho medo de que isso prejudique a planta e ela tombe sobre a casa, porque ela (árvore) está totalmente tomada pelos cupins. Fui orientado por técnicos da Semma a fazer um requerimento para analisar a planta”, comenta.
De acordo com o secretário do Meio Ambiente, Valcirlei Silva, nem sempre o fato de existir cupim em uma árvore justifica a sua retirada. Contudo, a substituição é aprovada quando o ataque é muito severo e a planta já não tem recuperação.
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