Regional

Região investe no cultivo de pimenta

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Iacanga, Reginópolis, Pirajuí e Arealva concentram grande quantidade de plantadores de pimentões exóticos. Para fazer a rotatividade da cultura, a pimenta aparece como alternativa. A informação é confirmada pelo grupo de Produtores Associados de Reginópolis e Região (Pare).

Segundo Rafael Oliveira, do Pare, os produtores que têm estufa de pimentões fazem a rotação com pimenta. “Geralmente usam a dedo de moça e a americana. O mercado consumidor não está na região. Toda a produção vai direto para o Ceagesp/SP. Há demanda nos grandes centros. Para se ter uma ideia, temos 80 sócios no Pare e pelos nossos registros, são ‘despachadas’ 100 caixas de pimenta por semana. Essa quantidade só dos nossos associados.”

A pimenta é prima do pimentão, enfatiza o engenheiro agrônomo da Secretaria Estadual da Agricultura (CAT- Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), Sérgio Mitsuo Ishicava. Segundo ele, os plantadores de pimentões estão entrando como opção de cultura para o pimentão. “A pimenta tem um mercado bastante restrito, é menor do que o de pimentão.  Uma coisa é plantar uma área de 10 estufas de pimentão e plantar a mesma quantidade de pimenta. O risco de não conseguir escoar a produção é muito grande.”

Apesar de a pimenta ter mercado menor em relação ao pimentão, tem preço mais estável, adverte o agrônomo. “O pimentão é uma cultura que tem semana que o preço atinge picos muito altos. Porém, na semana seguinte o preço despenca. A oscilação é muito grande. Já o mercado das pimentas, tanto a doce, a americana , quanto as ardidas, é mais estável, a oscilação de preços é menor.  Os agricultores estão usando como alternativa de diversificação .”

A pimenta aceita dois sistemas de plantio. Em campo aberto e estufa. “No cultivo em campo aberto, o plantio tem que ser planejado para que a colheita não coincida com a temporada de chuvas. Tempo úmido favorece a proliferação de fungos e pragas. Não mata a planta, mas provoca manchas no fruto e pode comprometer a produção. O plantio deveria ser feito em janeiro  ou  fevereiro para que o início da colheita comece em final de maio para frente, coincidindo com períodos mais secos do ano.” 

O plantio em ambiente protegido (estufa) pode ser feito em qualquer época do ano.  “As pimentas ardidas dão muito trabalho para colher”, ressalta o agrônomo. “É pela pungência (ardência). Tem que usar luvas porque pode machucar as mãos.”

Para o agrônomo´, dois fatores favorecem a região: o tipo de terra e o clima. “As pimentas, assim como pimentão, são plantas de clima tropical. Não toleram temperaturas baixas. Esse é um dos motivos em cultivar em ambientes protegidos, porque mesmo no verão há o risco das fortes pancadas de chuvas. No outono e inverno, a estufa protege das temperaturas muito baixa. Aqui tem períodos curtos de temperaturas baixas. Em regiões frias como Piedade, Ibiúna com altitude média acima de mil metros, não há possibilidade desse cultivo, especialmente nessa época do ano.”

Do plantio até os primeiros frutos, a pimenta requer em média 100 dias. “Depois ela continua produzindo por seis a sete meses. Na estufa pode durar mais.”

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