O grande mestre, o bruxo de Cosme Velho, Machado de Assis, ensina-nos que : "Os adjetivos passam, e os substantivos ficam. " , no entanto de onde provém esta máxima? A frase é de uma crônica do autor, na qual são criticados os impostos. No texto que retrata o cotidiano, Machado dialoga com dois impostos inconstitucionais de Pernambuco que foram ao Rio de Janeiro para tentar resolver a celeuma de suas inconstitucionalidades. O escritor, assim, diz que a solução para os impostos é a abolição de todos os adjetivos do Império. No final, quer dizer que o adjetivo "inconstitucional" vai, e o substantivo "imposto" fica, sempre fica. Interessante, não? Há tanto tempo que parecem memórias póstumas, mas, infelizmente, é atualíssimo e antes de ser tachado de Casmurro pelos leitores, acrescento: por que pagamos os impostos impostos por nossos governantes? Poderia ser um conto, uma ilusão prevista pela cartomante, um pedido da missa de galo ou um delírio de um alienista, mas é pura realidade: "Pago, não sonego, devo sempre que puder!" Ah, os impostos, o que nos trazem? São IPs que não acabam mais e não floridos, nem perfumados, são carrascos, injustos, abusivos! Diminui-se no faz-de-conta a conta da luz e aumenta-se na realidade o combustível, que, como um efeito dominó, traz consigo o aumento de todos os produtos, do pastel da feira ao automóvel luxuoso, da taxa imposta pelo "flanelinha" ao iludir-nos que cuida do nosso veículo a todos os produtos que se exibem nas passarelas, antes prateleiras dos mercados, se o preço fosse justo, não seria mercado! É, Drummond", o preço do feijão não cabe no poema", aliás, mestre de Itabira, não cabe mais anda no poema e nem no bolso, somente cabe na mente só dos deputados que aumentaram os seus bônus, pois, segundo eles, tudo aumentou! Afinal, em que se baseiam os aumentos, ensine-nos, Reinaldo Cafeo, é o dinheiro mesmo o vil metal, seria esse vil cognato de vilania e seus respectivos cobradores de impostos,os impostores? O IPTU vira tão e tão somente asfalto, somos bonecos de piche? O IPVA vira estradas, então por que o pedágio, aglutinação de pede+ágio? Segundo pessoas de bom humor, as praças de pedágio viraram "a praça é nossa!", mais humor, por favor. O melhor de tudo é a pessoa que fica dentro daquela janela somente com o rosto afora a dizer: "Você não tem trocado?" A vontade é de responder: eu não, mas os políticos, graúdos por sinal, têm trocado, têm trocado o povo pelas moedas, os homens de terno têm trocado os trens pelo pedágio!
O pedágio é, mesmo, muito engraçado, a moça aborda-nos com assédios sexuais constantes: " O senhor quer pôr "Sem Parar?" A vontade é responder que nem com muito Viagra isso é possível! Um amigo disse que pergunta, após pagar o imposto de pseudônimo pedágio ao funcionário: "Você já foi assaltado? Não? Acabei de sê-lo!" Engraçado ou não? É rir para não chorar! Como diz aquela emissora: "Brasil, o país dos impostos!" Imposto imposto para elaborar o Enem "Miojo", para acelerar a indústria da multa, imposto para continuar a trafegar de caiaque ou submarino na Nações Unidas, lembre-se de que o ditado mudou: "Depois da tempestade,vem a Nações!" Imposto que não traz a faculdade de medicina, imposto que não termina o viaduto inacabado, imposto que não muda o shopping imposto e não terminado pelo Maksoud!
A verdade é que o brasileiro não liga para pagar, ele "paga mico", "paga pau", "paga pra ver", é um pagador de promessas, enquanto deveria ser um cobrador de promessas feitas nas iminências das eleições, quando não transfere todas as dívidas, tudo para o Criador, no seu eterno e costumeiro: "Deus lhe pague". Ainda creio que é crível o imposto justo, desde que se decifre o segredo de dupla interpretação da oração, que não é tão sagrada: "Depois que aumentaram os preços, os produtos sumiram das prateleiras." Quem é o sujeito, quem é o objeto? Permita-me, mestre Machado: os objetos passam e os sujeitos ficam! E parafraseando outro mestre, Chico Buarque: "Pai, afasta de mim esse pague-se!"
Professor