Arquivo/Aceituno Jr. |
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Imagem antiga do prédio onde funcionou o “Mercadão” de autoria do fotógrafo do JC Aceituno Jr. |
Cidades de todos os tamanhos investem em espaços de mercado municipal possibilitando a multiplicidade de atividades econômicas, culturais e turísticas em um mesmo espaço. A ideia de Bauru viabilizar o seu “Mercação” é aprovada pelos secretários de Desenvolvimento Econômico, Arnaldo Ribeiro Pinto, e da Agricultura, Chico Maia. Mas o assunto ainda é “ideia”.
Os bauruenses sempre se manifestaram a favor: “Mercado Municipal. São Paulo tem, Belo Horizonte também. Sorocaba acabou de reformar o seu e em Ribeirão Preto os jovens vão comer pastéis e os idosos comprar fumo. Por que em Bauru não podemos ter o nosso? Nós temos tradição, somos uma cidade grande e poderíamos fazer disso uma forma de levar mais tradição ao nosso centro da cidade”. Esta carta do bauruense Paulo Abdo foi publicada no espaço Tribuna do Leitor do JC na edição de 29 de julho de 2007.
O secretário Chico Maia defende que tem que ser uma decisão de governo. O titular da Sagra entende que um “Mercadão” tem que ser um espaço de envolvimento de outras secretarias. O secretário municipal de Agricultura vê um “Mercadão” como mais um facilitador para o escoamento e comercialização da produção da agricultura familiar e de produtos não agrícolas produzidos por grupos atendidos por programas sociais ligados à Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes). Outra opção é a possibilidade dos artesãos de Bauru e região fixarem um espaço para exposição e comercialização das suas criações.
“Nesse momento não é prioridade. Mas está no horizonte. Está no meu planejamento”, define. O titular da Sagra diz não ter dúvidas de que há demanda por um “Mercadão” em Bauru, ainda que não tenha números específicos. Tanto que o Poder Executivo encaminha à Câmara Municipal de Bauru projeto de lei para incentivo ao pescado, outro produto possível de comercialização em um “Mercadão”.
Chico Maia reside em Bauru há seis anos e já morou em Campinas e São José do Rio Preto, municípios com “Mercadões” atualizados com o conceito de espaços de vivência gastronômica, expressão cultural e de encontro e aquisição de mercadorias das mais diversas. No de Votuporanga, ele cita que há até alfaiate oferecendo o serviço em extinção, porém ainda com alguma demanda.
Onde?
Chico cita que, desde que assumiu a Sagra, em 7 de fevereiro último, ouve sugestões de que um local viável para Mercado Municipal poderia ser o galpão da Ferrovia Paulista (Fepasa), onde em frente acontece a famosa Feira do Rolo na manhã dos domingos, na rua Júlio Prestes, no Centro.
Outra alternativa seria os galpões da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA), localizados atrás da sede da Sebes, secretaria que está na Avenida Alfredo Maia. Pretendendo sondar espaços na região central, Chico Maia já pediu assento em uma comissão, integrada por representantes de secretarias municipais, que estuda a revitalização do Centro de Bauru. A Sagra desenvolve ações na região central como a feira livre dominical na rua Gustavo Maciel, próxima ao prédio da Fepasa.
Chico Maia vislumbra a possibilidade de busca de recursos federais no Ministério do Turismo, encaminhando projeto para o Programa de Infraestrutura Turística. A origem é de emendas parlamentares. “O grosso de recursos tem que vir de fora”, salienta o secretário, não esquecendo da eventual contrapartida da Prefeitura de Bauru.
A história
Um visitante ao chegar a Bauru e se perguntar onde fica o Mercado Municipal ouvirá que não existe mais. Já existiu em Bauru o “Mercadão”. O local de compras funcionou no prédio da quadro 8 da avenida Nações Unidas, onde atualmente é o Centro Cultural “Carlos Fernandes de Paiva”.
O bauruense Irineu Azevedo Bastos recorda-se que o “Mercadão” foi criado no governo do prefeito Nuno de Assis (governou Bauru de 1952 a 1955; e de 1964 a 1969). “Passou muito superficialmente na vida da gente e ninguém prestou atenção”, comenta Bastos.
O prédio também foi transformado em Palácio dos Esportes no governo Luiz Edmundo Carrijo Coube (1973 a 1977). Ainda foi usado para o estoque da merenda escolar e cestas básicas. No governo Tidei de Lima (1993 a 1996), o edifício passou por reforma e foi transformado em Centro Cultural.
Seo Hermínio Aceituno Gomes trabalhou mais de 12 anos no Mercado Municipal de Bauru. Por volta de 1977, seo Hermínio se aposentou e foi atuar nos açougues do “Mercadão”. Inicialmente, trabalhou no comércio de carnes do Calixto, figura muito conhecida na cidade. Depois trabalhou em outro açougue até montar seu próprio negócio.
Ele entende que o prédio não se viabilizou porque a freguesia tinha que subir lances de escadas para ir ao pavimento superior. “Não deu pé”, sugere.
Ainda assim seo Hermínio relembra do grande movimento nos boxes. Conforme ele, os cinco açougues, dois bares e 10 boxes tinham grande movimento, principalmente às quintas-feiras e aos domingos, quando fechava perto das 13h. “Daí o pessoal ia debandando”, comenta.
Nessa época a feira, atualmente na rua Gustavo Maciel, era na avenida Rodrigues Alves avançando onde atualmente é avenida Nações Unidas. Seo Hermínio comenta que deixou o “Mercadão” cerca de três anos antes do prédio ser fechado.
Hermínio e a esposa dona Nazareth Siqueira Aceituno estão casados há 65 anos. Ela completou 90 anos no dia 9 de janeiro último. Seo Hermínio completará 88 anos no dia 25 de abril. Ele conta que começou a trabalhar com 12 para 13 anos de idade, iniciando na profissão de açougueiro no matadouro localizado na rua Aparecida. Posteriormente, ele fez carreira em frigoríficos.
Um projeto de centro gastronômico
Para a arquiteta Giovanna Cosso, falta a Bauru um ponto gastronômico que possa ser um local de referência cultural da cidade, incluindo a necessária exploração da marca do Sanduíche Bauru. Como projeto de finalização do curso de arquitetura na USC, a então estudante Giovanna Cosso apresentou no ano passado um trabalho com a finalidade de implantação de um Mercado Municipal em Bauru.
O “Mercadão” da Giovanna mistura o conceito de mercado municipal tradicional com pontos para fruição de cultura, gastronomia, entretenimento, lazer e compras. O ambiente projetado é um show. Ela fez o projeto arquitetônico referenciado nos símbolos de Bauru. Há o ferro da estrada de ferro Noroeste do Brasil (NOB) e a madeira que remete aos antigos mercados públicos. Giovanna cita que o ferro é muito presente nos mercados municipais de Recife e Manaus.
O terreno sugerido fica na quadra 35 da avenida Nações Unidas. Quando o trabalho de conclusão de curso já estava encaminhado, a área foi adquirida para uma loja de departamentos. No entanto, o projeto arquitetônico foi apresentado na universidade.
Ela entende que o local era perfeito. O projeto arquitetônico contemplou o prédio com um deck. São fachadas integradas com vista para a Rondon, Nações e lateral. “Quem é de fora de Bauru e quer comer um lanche, tem lá no ‘Mercadão’”, conceitua.
A proposta trabalhada por Giovanna também visualiza o aspecto de ponto turístico do “Mercadão” de São Paulo, onde as pessoas vão saborear o pastel de palmito, o lanche de mortadela e realizar compras. “É trazer uma identidade para o lugar”, frisa a arquiteta.
Ela salienta que Bauru tem potencial de consumidor para esse tipo de empreendimento. Entre os públicos de referência cita os cerca de 40 mil estudantes universitários que vêm da região e de outros Estados para estudar na cidade, os consumidores da região, que usam a rede de comércio e serviços, e os mais de 345 mil bauruenses.
Na avaliação de Giovanna, um “Mercadão” vem somar às feiras livres e aos demais pontos comerciais existentes em Bauru. Diferente das feiras, o “Mercadão” abre o dia todo, todos os dias.
