Após sofrer pressão do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), a cúpula do PSC se rebelou e decidiu ontem manter o pastor Marco Feliciano (SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.
Feliciano afirmou em sua conta no Twitter que africanos são descendentes de amaldiçoados por Noé e, numa outra ocasião, disse que a aids é o “câncer gay”. As declarações alcançaram grande repercussão que incluíram manifestações no Congresso Nacional.
“O deputado Feliciano já se desculpou por colocações mal feitas. Qualquer um pode deslizar nas palavras, pode errar. Informamos aos senhores e senhoras que o PSC não abre mão da indicação feita pelo partido”, disse o vice-presidente da legenda, pastor Everaldo Pereira, ao ler pronunciamento oficial.
O PSC prometera na semana passada dar uma solução ao impasse no colegiado. Eleito no início do mês para o cargo, Feliciano ainda não conseguiu presidir as sessões do colegiado sem protestos. O prazo dado por Alves vencia ontem, mas, segundo a reportagem apurou, o PSC não havia encontrado solução.
A cúpula do partido, reticente em retirá-lo da presidência, ainda não havia encontrado quem o substituísse. Resolveu mantê-lo sob o pretexto de enfrentar uma ala do PT e de demais partidos da esquerda que questionam sua permanência.
Segundo Everaldo, a sigla quer manter Feliciano na presidência da comissão como uma espécie de moeda de troca pelo apoio eleitoral ao PT nas campanhas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff.
“Veio 2010 e o PSC apoiou a candidatura de Dilma Rousseff a presidente. Apoiamos pois ela representava a continuidade das políticas em favor dos pobres, iniciadas pelo presidente Lula. Mesmo diante das declarações de que ela não sabia se acreditava em Deus e que não era contra o aborto, o PSC apoiou a presidente Dilma, sem discriminá-la por pensar diferente de nós”, disse.
Everaldo também citou o presidente da Casa, que, na semana passada, havia pedido uma solução “respeitosa” para a crise. “Quero pedir, respeitosamente, que as lideranças dos partidos desta Casa respeitem a indicação do PSC e peçam a seus militantes que protestem de maneira respeitosa.”
Mais cedo, ao ser questionado pelo líder do PSOL, Ivan Valente (SP), o líder do PSC, André Moura (PSC-SE), disse que não tomaria qualquer decisão sobre o futuro de Feliciano sob pressão. “Disse a ele (Alves) não queira fazer disso um cavalo de batalha. Na base da pressão podemos não resolver isso hoje”, afirmou Moura.
Questionado se estava realmente disposto a enfrentar mais um embate dentro da Câmara, Feliciano não respondeu. Compareceu à reunião do partido e saiu sem falar.