Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que formam os Brics, não conseguiram resolver as diferenças envolvendo o financiamento e a localização de um banco de desenvolvimento comum entre os países do grupo, indicando que as potências emergentes não conseguirão atingir a meta na cúpula atual de Durban.
O acerto sobre a parte que cada um contribuirá para o financiamento do banco já havia sido um assunto espinhoso para um grupo que reúne economias e governos muito díspares. O objetivo de criar um banco próprio de desenvolvimento é reduzir a dependência dos países de instituições financeiras ocidentais.
“Há um movimento positivo, mas não há nenhuma decisão sobre a criação do banco”, disse o ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, após uma reunião preliminar com seus colegas dos países que integram os Brics no porto sul-africano de Durban.
Siluanov acrescentou que os ministros das Finanças vão abordar as questões novamente em abril em uma reunião do G20, grupo que reúne as principais economias do mundo.
Os países dos Brics representam juntos um quinto da produção econômica global, mas têm tido dificuldades para transformar seu peso econômico em posição política no cenário internacional.
Acordo BrasilxChina
As duas maiores economias do grupo, China e Brasil, fecharam um acordo ontem de troca de moedas locais (reais e iuanes), com operações de até R$ 60 bilhões (cerca de US$ 30 bilhões) e duração de até 3 anos.
O montante pode ser prorrogado de acordo com a vontade das partes e com isso os dois países agem para tirar quase metade de suas ações comerciais da zona do dólar.
“Nosso interesse não é estabelecer novas relações com a China, mas expandir relações a serem usadas no caso de turbulência nos mercados financeiros”, disse o presidente do BC brasileiro, Alexandre Tombini, após a assinatura.
O comércio entre os dois países totalizou cerca de US$ 75 bilhões em 2012. Das exportações de US$ 41,2 bilhões do Brasil para a China, o minério de ferro respondeu por 34%, enquanto a soja e seus derivados chegaram a 29% e o petróleo, a 12 %.
Fundos de reserva
Autoridades brasileiras disseram esperar que o acordo esteja em operação na segunda metade de 2013. Segundo Mantega, o pacto vai agir como uma proteção contra turbulências em mercados financeiros internacionais dominados pelo dólar.“Se houver choques no mercado financeiro global, com falta de crédito, teremos crédito de nosso maior parceiro internacional, portanto não haverá interrupção do comércio”, disse ele.
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