Economia & Negócios

De olho no bacalhau!

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Neide Carlos

Joel e Emília Garcia foram rigorosos na escolha do melhor peixe

Às vésperas de preparar as refeições para a Sexta-Feira Santa, um detalhe que poucos consumidores reparam é a numeração que define a qualidade do bacalhau. Um bacalhau 8/10, por exemplo, é considerado uma boa opção. Na prática, significa que, na caixa de 25 quilos em que ele foi importado, havia de oito a dez peixes. Pela lógica, quanto menor o número de unidades dentro da caixa, mais caro é o produto, já que cada peixe é mais pesado por possuir mais carne e, certamente, por ser mais novo.

Mas, se a escolha for por levar apenas as postas do bacalhau do Porto, já limpas, o preço do quilo pode chegar a até R$ 99,00. Em uma loja de importados de Bauru, é possível ainda comprar o bacalhau já dessalgado, uma boa alternativa para quem deixar as compras para a última hora, já que o processo demora de um a dois dias.

Também neste caso, a facilidade tem um custo. No estabelecimento, o quilo do bacalhau do Porto 16/20 custa a partir de R$ 32,00, valor um pouco acima do preço normal, que é a partir de R$ 25,90. “Além de dessalgado, o peixe já vem limpo, sem pele ou espinha. É um serviço diferente para quem não tem tempo ou paciência. É só comprar e colocar no forno, ao gosto do cliente”, frisa o proprietário da loja, Carlos Prando.

Variação

Consumidores que começam a se preparar para a tradicional bacalhoada em família devem estar atentos. Em Bauru, a variação do preço do bacalhau pode chegar a 60% e pesquisar, sempre levando em conta a qualidade dos produtos, pode garantir uma reunião saborosa e sem prejuízos ao bolso.

Nos estabelecimentos consultados pela reportagem, a maior diferença de preços foi encontrada no bacalhau do tipo zarbo, cujo quilo variou 60%, indo de R$ 21,90 a R$ 34,90. A segunda maior oscilação foi encontrada no quilo do bacalhau do Porto, vendido de R$ 36,90 e R$ 59,00. Já o tipo ling custa de R$ 22,90 a R$ 25,90.

Embora a variação seja considerável, o gestor de compras de uma rede supermercadista da cidade, Pedro Sérgio Baptista, destaca que, de maneira geral, o bacalhau está cerca de 10% mais barato neste ano, em comparação a 2012. Entre os motivos que levaram à queda estão a estabilização do valor do dólar frente ao real e o maior volume de bacalhau importado diretamente da Noruega, onde é produzido.

“Em razão do barateamento de custos, apostamos em um crescimento de 20% no consumo para esta época do ano”, frisa, destacando que a rede espera comercializar cerca de 40 toneladas do produto. Mas, além do preço, algumas características do peixe precisam ser observadas para que a receita da Sexta-Feira Santa seja garantida.

Uma delas é a própria classificação do bacalhau. O do Porto é o mais caro de todos porque rende postas mais altas e largas, embora seja possível preparar a bacalhoada com os demais tipos. Já o desfiado, que custa aproximadamente R$ 19,90, o quilo, é mais indicado como ingrediente para bolinhos de bacalhau, saladas e molhos.

“As lascas já não são indicadas para bacalhoada. O saithe, que é vendido a R$ 29,90, tem o sabor típico, mas por ter uma coloração mais escura, pode não deixar o prato tão bonito”, pondera Marcos Renato Lourenção, gerente de compras de um supermercado da cidade.


Ovos em promoção

Além do setor de peixaria, outra área bastante concorrida dos supermercados nesta última semana que antecede a Páscoa é a de ovos de chocolate. Faltando três dias para a data comemorativa que encerra o período da Quaresma, alguns estabelecimentos já iniciaram o período de promoções, mas o consumidor que fizer questão de algum produto específico deve se apressar.

“Neste ano, as vendas começaram mais cedo e houve grande procura. Alguns ovos de personagens muito populares entre as crianças já estão acabando”, frisa Marcos Renato Lourenção, gerente de compras de um supermercado da cidade. De acordo com ele, no estabelecimento já há ovos com 50% de desconto e promoções do tipo “leve 2, pague 1”.

A expectativa é de que, até hoje, cerca de 90% dos ovos já tenham sido vendidos. Segundo estimativa da Associação Paulista de Supermercados (Apas), a comercialização de ovos neste ano deve crescer 15% em relação a 2012.


Celebração em família

Na Sexta-Feira da Paixão, que marca a morte de Jesus Cristo, os cristãos costumam não comer carne vermelha e a bacalhoada é o prato tradicional, geralmente saboreado em família. Do alto de seus 88 anos, o aposentado Elmo Palloni já possui larga experiência na escolha do peixe de melhor qualidade, que é preparado anualmente às vésperas da Páscoa. “A especialista no preparo é minha cara-metade, dona Ruth. Ela, como boa portuguesa que é, faz a melhor bacalhoada do mundo. Mas sou eu quem faço as compras”, diz, segurando um  saco com 8,5 quilos de bacalhau do Porto, pelo qual pagou aproximadamente R$ 300,00.

De acordo com Elmo Palloni Neto, 19 anos, a grande quantidade de peixe deverá alimentar as cerca de 25 pessoas da família que devem se reunir, amanhã, na casa do avô. Já o casal de aposentados Joel Garcia, 75 anos, e Emília de Alcântara Garcia, 77 anos, deve receber 13 parentes e, para tanto, comprou cerca de três quilos de bacalhau do Porto e outros dois quilos de desfiado.

As lascas servirão para preparar o bacalhau ao Zé do Pipo, prato preferido de uma neta e uma bisneta, que virão de Campo Grande (MS).


Outras opções

Para o consumidor que deixou a compra para última hora e não terá tempo para dessalgar o bacalhau ou não terá condições de gastar muito, há opções que podem substituir a tradicional receita da Sexta-Feira Santa.

Entre elas estão pratos que podem ser preparados com outros tipos de peixe, alguns deles bastante em conta nos supermercados da cidade.

Conforme pesquisa informal realizada pelo JC, o quilo de filé de merluza, por exemplo, é vendido de R$ 7,99 a R$ 8,75 e o de sardinha, de R$ 2,99 a R$ 3,79. Outras alternativas são o linguado, comercializado a R$ 12,90, o quilo, e o salmão, cujo quilo custa, em média, R$ 19,90.

 

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