Tribuna do Leitor

Angústia e pavor


| Tempo de leitura: 2 min

Pouco antes de consumar-se o dramático sacrifício do Calvário, Jesus Cristo levou três dos seus apóstolos a um lugar denominado Getsêmani e, após solicitar que permanecessem em oração constante, suplicou ao Pai que se fosse possível passassem dele aquele cálice, mas que não fosse feita a sua, mas a vontade de Deus.

Infelizmente, esse pedido feito veementemente a Deus não foi deferido, uma vez que o drama do Calvário consumou-se em todos os seus lances.

Muita gente surpreende-se com essas narrativas, dizendo: por que razão teria o Mestre receio daquilo que ele mesmo predissera várias vezes, daquilo que sabia lhe iria acontecer?

Muitos surpreendem-se de ficar o Mestre possuído de pavor e de angústia. Ora, habitando um corpo humano, suscetível de sofrer todas as sensações e dores peculiares aos seres terrenos, era óbvio que ele não poderia de forma alguma ser uma exceção, pois do contrário restaria duas alternativas: ou ele estaria produzindo uma farsa, passando por dores apenas aparentes, ou então estaria havendo a derrocada de uma lei da Natureza.

É perfeitamente compreensível a sua angústia e o seu pavor, pois ele antecipava as dores terríveis pelas quais passaria: espinho na cabeça, suas caminhadas de Caifás a Pilatos e de Pilatos a Herodes e sua condenação à morte, transportando pesada cruz até o Calvário para ali ser sacrificado.

É bem verdade que acima das dores físicas, que não foram poucas, o Mestre sofreu ainda dores mais agudas, tais como aquelas de ordem moral, ao ver todo o seu empenho em trazer à Terra uma mensagem de vida eterna, e, aqui encontrar resistência odiosa; ao ver o fanatismo reinar no seio da humanidade, a mentira e o engodo prevaleceram sobre a verdade, e, os interesses da Terra prevalecerem contra as coisas do Céu.

Por todas essas razões, o holocausto do Calvário não foi mera encenação. Realmente, o Mestre Nazareno passou e experimentou todas as dores a despeito da crença de muitos de que, sendo Ele um espírito de ordem elevada poderia sobrepujar todas elas, pois, se isso fosse possível, ele não teria pedido ao Pai, de forma tão veemente; simbolizando ao maior dos dramas que a humanidade já presenciou.

"No próprio Evangelho de João deparamos com o espírito de Jesus dizendo a Maria Madalena: Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai, vosso Pai, Meu Deus, e vosso Deus." (João, 20: 17).

Azis Neme

Comentários

Comentários