Tribuna do Leitor

Vai que é sua, Brasil! (Rumo ao Hexa)


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Nos últimos amistosos, sob o comando do paizão Luís Felipe Scolari, o Brasil tem conquistado resultados aquém do que se espera de um pentacampeão mundial. No entanto, devemos ser justos com Scolari: Mano Menezes também não estava conseguindo obter resultados positivos frente a seleções consideradas "potências". Troca-se esquema, novos jogadores são convocados, e o resultado continua sendo pífio. Como a Copa das Confederações e a Copa do Mundo se aproximam, venho através desta humilde missiva apresentar algumas soluções que acredito serem essenciais para conquistarmos o Hexa tão desejado, povo brasileiro!

Primeiramente: toda seleção campeã deve ter, em sua meta, um goleiro frangueiro. Ou vai dizer que Waldir Peres, Félix e Taffarel inspiravam plena confiança? O tão conhecido bordão do Galvão Bueno "Sai que é sua, Taffarel" muitas vezes terminava na narração do gol da seleção adversária. Embora não tenha visto os outros dois mencionados jogarem, ouço dizer o quanto suas convocações e titularidades foram questionadas, criticadas. Quanto ao meio campo, não podemos abrir mão de dois volantes brucutus, marcando e distribuindo pontapés, quando necessário.

Em 1994, tivemos Mauro Silva e Dunga, que (pasmem) era o segundo volante, o mais habilidoso da dupla. Agora, sobre a zaga: vocês lembram da Copa de 98? Ok, não ganhamos. Mas aquela seleção tinha uma grande virtude: a posse defensiva da bola. Tocava pra lá, tocava pra cá, o adversário marcava do meio pra frente. Ficávamos de dois a três minutos tocando a bola lá atrás, até os atacantes da seleção adversária pressionarem e algum zagueiro livrar-se da bola com um balão pra frente. Excepcional! Parecia que não tínhamos saída de bola. Ledo engano. Fazia parte do esquema do Zagallo! Posse de bola, condição sine qua non de um bom resultado. Devemos voltar a utilizar tal artifício, já que quanto mais temos a posse de bola, menos risco corremos de tomar gols.

A Espanha de hoje se inspirou no Brasil/98, toca a bola pelo campo inteiro e é a coqueluche do futebol mundial, jogando bonito e ganhando títulos. Mas, não é só de posse de bola que se faz uma seleção canarinho. O Brasil precisa de arte, né? Brasil sem talento, dribles e jogadas bonitas não é Brasil. Aí, temos que ter um meia ofensivo. Pode ser o Oscar? Até pode.

Mas eu prefiro o Ganso. Mesmo lesionado, não importa. Adoramos aquele camisa 10, o cara que levanta a cabeça e dá um toque de dois metros pro volante brucutu. Passa o pé por cima da bola, organiza as jogadas. O tal do meia habilidoso. Não precisa marcar, é só saber dominar lindamente a gorduchinha. Camisa 10 é uma instituição nacional, patrimônio histórico. E o driblador? Já temos! É o Neymar. E ele está incorporando o espírito da coisa: corre, dribla, corre, tenta driblar, simula faltas, reclama do árbitro, joga a torcida contra o juiz. Indispensável. E o centroavante? O Fred é bom, mas é técnico demais. O centroavante ideal deve ser mais forte, mais parrudo, trombador. Meio grosso, diria. Parecido com o Serginho Chulapa?

Adriano imperador? Deve perder gol feito, e no próximo lance marcar. Aí ouvir o narrador dizer: a segunda ele não perde, a segunda ele não perdoa! E o esquema tático brasileiro? Ah, claro! O 4-4-2, com o quadrado no meio campo! Em 1970 deu certo, você acha que não dará quarenta e quatro anos depois? Bom, se a seleção brasileira seguir estas recomendações, conseguir construir os estádios a tempo e continuar expulsando os indígenas dos seus territórios a pauladas até 2014, tenho absoluta certeza que o Brasil será Hexa! Escreve aí o que eu estou dizendo! Afinal, o papa é argentino, mas Deus é Brasileiro! Ele não irá nos decepcionar.

Bruno Emmanuel Sanches

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