Tribuna do Leitor

Repúdio às ideias religiosas retrógradas


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Já não se fazem mais religiosos como antigamente. Infelizmente todos estão hoje mais conservadores que dantes. Católicos, evangélicos e todos os demais. Poucos se salvam nessa barafunda que se tornou os temas defendidos dos ensinamentos de Cristo. Dariam para serem contados nos dedos de uma das mãos. Lembro com saudade do cardeal católico dom Evaristo Arns, do pastor Wright e do rabino Sobel na celebração ecumênica quando da norte de Vladimir Herzog. Isso ainda seria possível? Dificilmente, pois hoje, como as torcidas de futebol, a maioria se tornou rival uma da outra, trilhando o mesmo caminho num só tema, o do preconceito, homofobia, exclusão e conservadorismo. Passaram todas a caminhar em marcha a ré. Eles tentam de todas as formas impingirem à sociedade brasileira o que deveria ser somente regras para quem segue uma determinada religião. Quando isso é imposto como regra para todos, o estado perde o seu sentido laico.

Lobbies ocorrem para tudo, sugerindo que uma era de trevas como a da Inquisição pode estar se encaminhando. Isso pode ser verificado nos escritos e atitudes de alguns dos seus representantes. Cito aqui quatro exemplos. A Igreja Católica se nega a discutir a falta de resistência da igreja de Bergoglio, conivente com desmandos na Argentina, enquanto a daqui resistia bravamente (eis uma pela qual tenho saudade), assim como discutir corrupção interna e pedofilia.

Dentre os evangélicos, no primeiro caso o pastor Celso Nascimento, representante do PSC de Feliciano na cidade, prega a mesma coisa que ele e todos no seu partido, mas se diz revoltado com uns meros cartazes diante do seu portão. Em dois momentos aqui no JC, algo mais repugnante. Em textos na seção Opinião, primeiro em "Desconselho de Medicina" (https://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=228000), 25/03, escrito por Gilson Souto Maior Junior, pastor da Igreja Batista do Estoril, pregando o absurdo da medicina atrelar seus avanços aos dogmas religiosos. O entendimento dele sobre "biologização" do ser humano é um retrocesso inimaginável. Por que não deixam simplesmente as pessoas decidirem o que fazer com seus próprios corpos? A religião tolhe as liberdades mais elementares. No segundo, "A democracia em risco" (https://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=228020), de Edson Valentim de Freitas Filho, pastor da Igreja Batista Bereana de Bauru, 27/03, algo ainda mais sério, pois quer nos confundir. A maior ilegalidade é Feliciano, pelo que representa querer presidir algo totalmente o oposto do que prega. Ele nos confronta a todos e não nós a ele. Tacanha sua visão de Lula querer "cubanizar" o país, termo injusto e recheado de preconceitos. Monstruosa inversão histórica, mostra sua face mais horrenda ao taxar Dilma de "guerrilheira" num tom pejorativo. Ela lutou para sermos o que somos hoje e isso ele ignora. Prega um confronto, nada religioso, declara guerra aos ainda livres, soberanos e sóbrios.

Veja como eles entendem de forma tacanha isso tudo. Querem nos obrigar todos a seguir o que suas religiões pregam e quando contestamos, quando os colocamos na parede, levantam as mãos e gritam bem alto: "Estamos sendo agredidos nas nossas liberdades individuais. Deixem-nos em paz, respeitem os que pensam diferente". Sim, mas eles precisam entender que não tem como permanecer indiferente diante de teses criacionistas, contra pesquisa células tronco, camisinha, aborto, legalização drogas, perseguições a outras tendências religiosas, políticas e fazendo uso da fé pública para ludibriar incautos.

Sou um "pastorfóbico" assumido, pois diante de discurso e práticas tão maléficas seria incoerente comigo mesmo se não demonstrasse o quanto é pernóstico o pensamento que defendem. Proponho um amplo debate na cidade, uma grande mesa, tendo ao lado expoentes de um lado e outro e veremos quem tem mais garrafas vazias para vender. Topam?

Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História - www.mafuadohpa.blogspot.com

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