Tenho 65 anos de idade e estou escrevendo esta carta dirigida àqueles que estão recentemente sendo generosamente premiados por Deus com a vinda de um filho, filha, ou mais, e faço-lhes um apelo: jamais abandonem seus filhos!
Eu me separei de minha ex-esposa, abandonei minhas duas filhas e perdi a benção de poder vê-las acabarem de crescer. Eu não degustei a delícia de levá-las e buscá-las nas baladas e nem senti o inusitado prazer de correr com elas pelos parques. Não tomei com elas suco de canudinho, não as levei para cama depois que supostamente houvessem adormecido em meu colo assistindo à noite um programa de TV.
Eu cumpri sim, com o pagamento da pensão determinada pelo juiz, visitava-as aos domingos, supria suas necessidades extras, dava-lhes presentes de Natal, aniversário e ovos de Páscoa, mas de que vale isso se não lhes dei meu ombro para chorarem quando precisaram, se lhes neguei a segurança de minha presença, se não as conduzi com minha mão firme nesse início de caminhada dessa estrada chamada vida e se não acompanhei os seus passos se alargarem?
Nem imaginem a dor que isso me causa. Por isso não se exponham a essa dor! Jamais! É insuportável! Tanto a que você sente, quanto a que você causa!
Nei Silveira de Almeida