Apenas a Igreja Católica recomenda a seus fieis a renúncia de carne vermelha na Sexta-feira da Paixão. No entanto, o consumo de peixe já virou tradição, mesmo entre seguidores de outras religiões, tornando-se um elemento cultural entre as famílias brasileiras.
Neide Carlos |
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Suzana Julião conta que foi ao supermercado escolher o presente para mãe e namorado |
No fim da manhã e no início da tarde de ontem, os supermercados de Bauru estavam lotados de clientes, que deixaram para a última hora a compra do peixe para o almoço de sexta-feira. Entre eles, a camareira Regina Cristina dos Santos, de 31 anos.
“Não deu para vir antes porque os horários de trabalho estavam muito apertados. Mas fiz questão de comprar o peixe”, conta ela, que é evangélica.
Regina conta que sua religião não pede que evitem o consumo de carne vermelha. A camareira afirma que sua família já tem o hábito de comer peixe, que fica ainda mais forte com a tradição. “Já é uma coisa para todo mundo. Não só para os católicos”, comenta.
Por conta do preço, ela preferiu o filé de merluza, que saia por R$ 8,75 o quilo, ao bacalhau. “Vou preparar uma receita que é para bacalhau, testar se dá certo com o peixe, junto com creme de leite e batata palha”.
A cozinheira Ivete Ramos, que também é evangélica, não fugiu ao costume e também escolheu o peixe como prato principal da Sexta-Feira da Paixão. “A gente gosta muito lá em casa e até prefere o filé ao bacalhau”.
Quem também deixou a compra do almoço para a última hora foi o ferroviário Valter Rodrigues Silva, 31 anos. Católico, ele faz questão de manter a tradição religiosa e reunir a família para o almoço da Sexta-Feira da Paixão. “Meus pais vieram me visitar”, conta ele.
Ovos de chocolate
Dois dias antes do domingo de Páscoa, a procura por ovos de chocolate seguia intensa. A jornalista Suzana Julião, 33 anos, foi ao supermercado para escolher os presentes do namorado e da mãe.
Apesar das compras de última hora, ela se surpreendeu com os preços e com qualidade dos ovos nas prateleiras. “Pensei que fossem estar mais caros. Além disso, eles não estão quebrados como das outras vezes”, conta.
Última hora
O peixeiro Ângelo César Luiz, que trabalha em um supermercado de Bauru, relata intenso movimento de consumidores em busca de peixe para o almoço de ontem. “A procura maior foi durante toda a quinta-feira e até as 14h de sexta”, afirma, com calos na mão de tanto limpar os produtos.
Entre os peixes inteiros, neste supermercado, o pacu foi o mais procurado. Entre anteontem e ontem, foram vendidos 800 quilos do peixe. Dos 125 quilos de tucunaré recebidos pelo estabelecimento, também não sobrou nada. A tainha também foi bastante requisitada. A merluza foi o tipo de filé mais procurado, com 300 quilos.