Em sua primeira homilia de Páscoa, o papa Francisco fez ontem um apelo à paz no mundo e por uma solução diplomática para a crise na Península Coreana.
Reuters |
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Papa Francisco deu sua mensagem “Urbi et Orbi” (para a cidade e o mundo) da sacada da Basílica de São Pedro |
Em sua primeira mensagem “Urbi et Orbi” (para a cidade e o mundo), Francisco também pediu a paz entre israelenses e palestinos, o fim da guerra civil na Síria e soluções políticas para os conflitos em vários países africanos.
Ao se referir à situação de violência no continente africano, o papa mencionou a instabilidade do Mali, os atentados na Nigéria, onde muitas pessoas, incluindo crianças são mantidas como reféns por grupos terroristas, e pediu paz para o leste da República Democrática do Congo e para a República Centro-Africana, “onde muitos se veem forçados a deixar suas casas e vivem ainda no medo”
O antigo cardeal argentino Jorge Bergoglio fez da defesa da natureza uma das primeiras marcas de seu pontificado. Na benção da Páscoa, ele também condenou a “perversa exploração dos recursos naturais” e fez um chamado para que todos sejam “guardiões” da criação.
Francisco deu sua mensagem da sacada da Basílica de São Pedro - o mesmo local onde ele foi apresentado ao mundo após ser eleito papa em 13 de março - para uma multidão estimada pelo Vaticano em ao menos 250 mil pessoas. “Paz na Ásia, acima de tudo na Península Coreana: que os desentendimentos possam ser superados e que um renovado espírito de reconciliação cresça”, disse ele, falando em italiano.
Anteontem, a Coreia do Norte anunciou estar entrando em “estado de Guerra” com a Coreia do Sul. A tensão é grande na região desde que o novo e jovem líder do Norte, Kim Jong-un, ordenou um terceiro teste de armas nucleares, em fevereiro, violando sanções impostas pela ONU ao país e ignorando advertências do único aliado norte-coreano de peso, a China, que o alertou a não fazer isso.
Francisco impôs um estilo mais simples e pessoal ao papado. Ele disse em sua mensagem de Páscoa que a fé pode ajudar as pessoas a transformarem suas vidas por deixar “florescerem aqueles lugares desertos em nossos corações.”
Guardiões da criação
“Quantos desertos, mesmo no mundo de hoje, os seres humanos têm de atravessar! Acima de tudo, o deserto interior, quando não temos nenhum amor por Deus ou pelo vizinho, quando deixamos de perceber que somos os guardiões de tudo que o criador nos deu e continua a nos dar”, disse ele.
Pouco antes, na missa na praça enfeitada por mais de 40 mil plantas e flores, o papa usou vestes brancas relativamente simples, ao contrário do que fazia seu predecessor, Bento XVI, que preferia trajes mais adornados.
Confiança em Jesus
Na homilia durante a vigília pascal na basílica de são Pedro, na noite de anteontem, o papa Francisco pediu aos fiéis confiança em Jesus Cristo e disse que sua ressurreição é a vitória sobre o mal. Ele ainda pediu ao que chamou de “indiferentes perante Deus” que se arrisquem, pois “não ficarão decepcionados”.
“Aceite que Jesus Ressuscitado entre em sua vida, acolha-o como amigo, com confiança: Ele é a vida! Se até agora estivestes longe dele, dê um pequeno passo, ele te acolherá de braços abertos. Se és indiferente, aceite arriscar, não ficarás decepcionado”, declarou o papa.
O Bispo de Roma acrescentou: “Se te parece difícil segui-lo, não tenhas medo, tenha a certeza que Ele está perto de ti, está contigo, e te dará a paz que procuras e a força para viver como Ele quer”.
Comentando o evangelho de Lucas quando as mulheres vão ao sepulcro, o encontram vazio e ficam perplexas, Francisco lembrou que isso acontece também a nós quando ocorre algo verdadeiramente novo em nossas vidas.
“Frequentemente, a novidade nos dá medo, assim também é com a novidade que Deus nos traz. Somos como os apóstolos do Evangelho: muitas vezes preferimos manter nossas certezas. Temos medo das surpresas de Deus. Ele nos surpreende sempre”.
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