O Pentágono disse ontem que um segundo destróier será enviado para a região do oceano Pacífico. Além do USS John McCain, um navio de guerra para defesa contra mísseis balísticos, o USS Decatur deixou a base nas Filipinas e será posicionado na península coreana.
Anteontem, o porta-voz do Pentágono, George Little, afirmou que as movimentações navais não tinham ligação com a série de ameaças que nas últimas semanas provocaram uma escalada das tensões na península coreana.
O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, pediu que a Coreia do Norte abandone suas ambições nucleares, afirmando que os planos de Pyongyang para reabrir um reator nuclear desativado em 2007 são uma nova indicação de que o governo viola suas obrigações internacionais.
Carney observou que as recentes ameaças são contraproducentes, e afirmou que os EUA estão adotando medidas para garantir a sua própria defesa e de seus aliados.
Ele pediu ainda que China e Rússia ajam com maior determinação para conter a Coreia do Norte. “Não é um mistério para ninguém que a China exerce influência sobre o comportamento da Coreia do Norte”, disse o representante do governo americano.
Reações
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a Coreia do Norte está em “rota de colisão com a comunidade internacional”. Ban, que é ex-ministro de Relações Exteriores sul-coreano, afirmou que a crise foi longe demais e ressaltou a urgência para o início de negociações. “Ameaças nucleares não são um jogo”, disse Ban, em entrevista coletiva em Andorra.
A China, maior parceira econômica e diplomática de Pyongyang, manifestou desapontamento com a retomada dos trabalhos do reator. “Lamentamos os anúncios da Coreia do Norte”, afirmou Hong Lei, o porta-voz da chancelaria chinesa, que ainda pediu calma e a retomada do diálogo. Entretanto, ele afirmou que Pequim acredita que a questão nuclear não pode ser resolvida com sanções. A Rússia não descartou que a crescente tensão leve a um conflito militar entre EUA e Coreia do Norte. O embaixador para missões especiais do Ministério de Relações Exteriores russo, Grigori Logvinov, acrescentou que “o mais importante é que a guerra psicológica não se transforme em uma verdadeira guerra”.
A Coreia do Sul afirmou que monitora de perto as movimentações, e voltou a pedir que Pyongyang cumpra as “as promessas que fez no passado para o desmantelamento das instalações nucleares do país”.
Coreia do Norte anuncia reativação de reator nuclear
A Coreia do Norte anunciou ontem a intenção de reativar um reator nuclear paralisado desde 2007, mas enfatizou estar buscando uma capacidade dissuasória, e não uma repetição das recentes ameaças de atacar a Coreia do Sul e os EUA A agência estatal de notícias KCNA disse que a Coreia do Norte vai reativar todas as instalações militares, tanto para geração elétrica quanto para uso militar.
O anúncio ocorre em meio a crescentes tensões na península da Coreia, onde os EUA reforçaram sua presença depois de uma série de ameaças norte-coreanas.
A Coreia do Norte, um dos Estados mais isolados e imprevisíveis do mundo, conduziu em fevereiro seu terceiro teste nuclear, mas se acredita que ela ainda esteja a anos de conseguir desenvolver armas atômicas, embora afirme possuir uma forma de dissuasão nuclear.
Armas garantem paz
As armas nucleares da Coreia do Norte funcionam como um meio de barrar potenciais agressores e como um alicerce para a prosperidade, afirmou o líder do país em um discurso proferido no domingo e publicado na íntegra pela agência oficial KNCA ontem.
“Nosso poder nuclear é um meio confiavél de impedir uma guerra e uma garantia de proteção de nossa soberania”, disse Kim Jong-un em um discurso proferido na reunião do comitê central do dominante Partido dos Trabalhadores. O discurso pareceu enfatizar uma mudança no desenvolvimento econômico e acusou os Estados Unidos de empurrar a Coreia do Norte para uma corrida armamentícia em uma aposta para criar obstáculos ao avanço econômico.