Bairros

Polícia Civil desmantela banca de jogo do bicho pela décima vez

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

A Polícia Civil continua a investida contra o jogo do bicho em Bauru. Porém, por conta da legislação permissiva, é um verdadeiro “entra e sai” dos acusados na delegacia. Prova disso é que, ontem, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) desmantelou pela 10ª vez a mesma banca. Cinco pessoas foram ouvidas e, novamente, liberadas. O material apreendido mostrou que, em menos de um mês, a banca movimentou mais de R$ 50 mil.

A banca funcionava na quadra 3 da rua Marília, no Jardim Aeroporto. Segundo o titular da DIG, Kleber Granja, o imóvel já estava sendo vigiado há dias pela polícia. “Para tentar evitar as apreensões, eles adotaram a prática de ficarem poucos meses em um ponto e, depois, migrarem para outro”.

Por volta das 14h, os policiais deflagraram a ação e surpreenderam cinco pessoas no imóvel, quatro homens e uma mulher. Dois irmãos, que são os proprietários da banca, estão entre os indiciados. “Conseguimos pegar ainda um motociclista que fazia a recolha das apostas e tinha acabado de chegar com o dinheiro. Outro motociclista ainda conseguiu fugir”, conta Kleber Granja.

Além de vasta quantidade de material de escritório, pacotes de apostas realizadas, envelopes de recolha de dinheiro, celulares e calculadoras, foram apreendidos ainda R$ 619,80. No meio do material, havia um “manual dos sonhos” com imagens dos animais para guiar os apostadores.

A polícia localizou ainda anotação contábil com a indicação total de apuração no período compreendido entre o dia 14 do mês passado até anteontem. O valor é assustador e dá uma ideia de como o negócio é lucrativo: R$ 51.200,00.

As cinco pessoas foram conduzidas à DIG, onde foram interrogadas, porém preferiram falar apenas em juízo. Depois, foram liberadas. “Já temos cinco bancas devidamente identificadas. Porém, mais uma vez afirmamos que a lei é falha e propicia a prática do jogo do bicho”, critica o titular da DIG.

O jogo do bicho se encaixa no artigo 51 da Lei de Contravenções Penais. A condenação é prisão de 4 meses a um ano, mais multa. Como é um crime de menor potencial ofensivo, os envolvidos são obrigados a assinar um termo circunstanciado e se comprometem a se apresentar em juízo. 

Lavagem

O delegado Kleber Granja, contudo, afirma que a Polícia Civil trabalha com uma linha de investigação paralela para tentar associar esses suspeitos ao crime de lavagem de dinheiro e capitais em Bauru. Assim, seguem apurações quanto à evolução patrimonial e possível ocultação de valores.

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