Tribuna do Leitor

Da esquerdopata, pastorfóbico a pregador da boa nova


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Eu já fui chamado e taxado de muita coisa. Pelo visto, continuarei o sendo. Provocar e ser provocado, algo mais do que natural, num mundo onde querem enquadrar os desajustados e os "fora da nova ordem mundial". Vejo-me fora do mundo curral, preferindo os embates, pagando o preço por querer viver desordenadamente e sem nenhuma compostura. Outro dia, aqui nesse espaço, preguei contra os religiosos que insistem em seguir atuando dentro de concepções teleguiadas por ideias retrógradas. Um deles criou um termo do qual me aproprio, o "pastorfóbico", e explico. Não sou contra as religiões, sou contra o que fizeram delas. Sou contra esse exército que usam seitas deformadas para obter e manter poder. Sou daqueles enxergando que isso precisa ser contido, o quanto antes.

Tudo o que pregam, não sendo fora da lei, deve ser contido dentro dos seus rituais e eventos. Nada mais que isso. Passou disso, o Estado perde seu sentido laico. Tenho uma tese sobre esse tema e a coloco em prática: Por que todo evangélico tem que necessariamente defender alguém como Feliciano? Não tem e os que o fazem erram, pensam igual a ele. Gosto dos de mente arejadas, olhando para o mundo e suas possibilidades voltados para o futuro, entendendo a ciência e delas tirando proveito. Interpretando a bíblia com os olhos de hoje, não de quando foi escrita. E mais, não fazendo uma interpretação da vida de Jesus segundo sua conveniência.

Jesus foi um libertador e hoje poderia ser facilmente taxado de subversivo e guerrilheiro, pois não se conformaria com as injustiças, principalmente as pregadas em seu nome. A igreja verdadeira deveria lutar pela libertação do ser humano e não pelo seu aprisionamento. Se ser "pastorfóbico" é ir contra esse bando de preconceituosos, sou um desses e faço disso uma trincheira contra os desmandos que os vejo praticarem.

Ao assumir isso publicamente, tentam te pegar por tudo quando é lado. Uns me chamam de "esquerdopata", mas podem prestar atenção, todos que assim denominam alguém, também poderiam ser facilmente taxados de "direitopatas", o piorado oposto. A libertação dos povos, isso é histórico, nunca veio pelos de direita e sim, pelos de esquerda. Assim sendo, a salvação continua ao lado dos de minha linha de pensamento. Existe em alguns "direitopatas" uma mania de patrulhamento, vigiando até o que fazemos profissionalmente, questionando, desqualificando e até ponto em dúvida sua veracidade, usando de termos como o "autointitulado", o "pretenso" ou "jornalista sem jornal". Eu me divirto, acreditando que alguns devem estar loucos para saberem como faço para ganhar a vida (seria soldo de algum resquício soviético?). Tranquilizando esse e os demais na mesma dúvida, poderia responder como o fez Niemeyer diante de um interrogatório.

"Como ganha dinheiro?", perguntaram-lhe. A resposta o JC não publicaria, mas os interessados a podem ler clicando no http://blogdojuca.uol.com.br/2012/12/niemeyer-e-o-general/. Diante de tudo, juntei um grupo e iremos criar uma libertadora igreja, ?Jesus Libertador ? Revolução Aqui e Agora?, pregando algo extraído dos seus verdadeiros ensinamentos, o da prática de vida, quando enfrentou os dragões da maldade e pregou a libertação popular. Estamos nas definições de como faremos para sobreviver sem os recursos do dízimo, algo abominável para qualquer revolucionário, inclusive o mentor de tudo, o próprio Jesus. Se a saída é pela religião, seja feita a sua vontade.

Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História - www.mafuadohpa.blogspot.com

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