Tribuna do Leitor

Hospitais psiquiatricos: Para quê? Para quem?


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Fazem 26 anos do evento de Bauru e ainda os defensores do hospital psiquiátrico e as cabeças manicomiais continuam querendo trancar as pessoas que sofrem de transtornos mentais. Já não basta o sofrimento e ainda os punimos com a exclusão e o isolamento. Alguns passaram suas vidas nesses lugares. Prender alguém em um lugar dizendo que vai curá-lo ou é para o seu bem, é a falácia construída pela psiquiatria para justificar sua função de encobrimento das disfunções produzidas pelo modo de produção capitalista desde o século XIX. Porém, a tradição brasileira imposta pela elite dominante, procura a todo o momento, apagar a história. Vamos lembrar algumas questões. Após 1987, Bauru experimentou um número significativo de péssimas administrações municipais que impediram a continuidade da implementação dos modelos substitutivos em saúde mental.

No Estado, amargamos uma continuidade de administrações autoritárias e manicomiais, em que o secretário da saúde não teve a seriedade e responsabilidade de chamar a Conferência Estadual de Saúde Mental. Só foi realizada por que a militância foi à luta e o Conselho Estadual de Saúde assumiu seu papel de representante da população. Em nível federal, somente depois de 2002, com a promulgação da Lei 10216 a Reforma psiquiátrica se torna política pública. Apesar da diminuição expressiva de leitos psiquiátricos, com esse quadro continuou-se a sustentar o setor privado dos hospitais psiquiátricos restantes e não se montou a rede de modelos substitutivos em saúde mental.

O SUS também teve e tem imensas dificuldades para sua implementação por causa desse modelo hospitalocêntrico privatista propagandeado pelo discurso neoliberal. Mesmo assim, avançamos e essas duas políticas são vitoriosas, apesar das dificuldades. Nesse sentido, senhores vereadores, porque não fazem uma ação para que a rede seja estruturada na região? Cadê a DRS? Cadê o CAPS III prometido no ano passado? Nesses 26 anos várias experiências de modelos substitutivos implementados por gestões públicas comprometidas com os direitos da população se mostraram exitosas e muitos usuários e familiares não precisaram viver a experiência violenta e dolorosa da internação em um hospital psiquiátrico.

Esses usuários e familiares estão ativos, trabalhando, lutando e participando ativamente do movimento. Não ficaram cronificados como alguns que se recusam a mudar, pois mudar dá trabalho e exige encarar o mundo e questionar verdades cristalizadas. Para finalizar, defender manutenção de hospital psiquiátrico é estar na contramão da história e optar pela "solução" mais fácil. Por uma sociedade sem manicômios!

Osvaldo Gradella Júnior

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