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Família nega abandono no Redentor

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Éder Azevedo

O aposentado Gercy Ferreira: “Eu não queria ir para uma casa de repouso, mas podem vir me buscar que eu vou”

“Não existe abandono. Vou à casa dele de quatro a cinco vezes todos os dias para cuidar”. A afirmação é feita pela prima de um viúvo de 85 anos, personagem de uma reportagem divulgada pelo JC na edição de ontem, após um boletim de ocorrência por abandono ser registrado no plantão permanente da Polícia Civil de Bauru, na noite da última segunda-feira.

Após a repercussão do caso, a família resolveu conceder entrevista e negou a acusação de que o aposentado Gercy Ferreira tenha sido abandonado após a mudança de familiares que moravam no mesmo imóvel, no último sábado.

Segundo a prima do idoso, a pensionista Maria Lucila Catani, 59 anos, Gercy morava na companhia de sua filha viúva nos últimos meses, mas a mulher teria deixado a casa, no

O cômodo onde Gercy mora não possui geladeira nem fogão e é tomado por um forte cheiro de urina

último sábado, para morar em outro bairro ao lado do pai, que teria adoecido.

“Ela me ajudava a cuidar do meu primo, mas teve que se mudar para ajudar o pai. Antes disso, entramos em contato com a Secretaria do Bem Estar Social (Sebes) para tentar uma vaga em uma casa de repouso, mas ele se negou a sair. Por isso, tenho vindo aqui todos os dias para dar banho e alimentá-lo. Não existe abandono. Na própria segunda-feira estive aqui e cortei a barba e os cabelos dele”, alega a mulher, se identificando como a parente mais próxima do idoso. “Minha mãe cuidava do Gercy desde pequeno, mas ela morreu e ele acabou ficando na casa e dependendo da nossa ajuda”, completa.

Além de Lucila, outro primo do aposentado também esteve na residência acompanhando o idoso na manhã de ontem. “Ele é bravo. A casa já foi até vendida, mas ele não quer sair de jeito nenhum. Estamos sempre por aqui cuidando dele e providenciando alimentação”, reforça Ronilson Catani, 62 anos.

Ainda de acordo com os familiares, o idoso não possui problemas psiquiátricos e a decisão de trancá-lo aos fundos do imóvel aconteceu após vizinhos ameaçarem acionar a polícia depois de verem o idoso se arrastando na frente da casa, no último domingo. “Trancamos para segurança dele e não deixamos a chave porque ele sempre perde”, comenta Lucila, enfatizando que a limpeza é realizada diariamente no imóvel.

No local, a reportagem observou que o cômodo dos fundos onde o idoso reside possui um quarto com uma cama, um banheiro e uma cozinha com uma pia e um armário vazio. O local não possui geladeira nem fogão e é tomado por um forte cheiro de urina.

Desfecho

Segundo a família, o aposentado seria transferido ainda ontem para uma casa de repouso na cidade. “Eu não queria ir porque tenho que cuidar das minhas coisas. Eu ajudei a construir essa casa. Já que não tem jeito, podem vir me buscar que eu vou”, diz Gercy, olhando para os primos.


Relembre o caso

Em boletim de ocorrência consta que, ao pularem o portão da casa, localizada no Jardim Redentor, na noite de segunda-feira, policiais militares encontraram o idoso se arrastando em direção a um banheiro. No local, não havia nenhum tipo de alimento, apenas uma garrafa pet de dois litros com pouca água. Aos policiais, o homem soube informar entre poucas e desconexas palavras somente seu nome, idade e que teria sido deixado pelos parentes.

Ainda conforme o registro, o homem foi atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Pronto-Socorro Central (PSC), onde foi constatado que o idoso estava desnutrido e desidratado.

Na ocasião, populares chegaram a afirmar que o Samu teria demorado ao menos quatro horas para chegar ao local da ocorrência. Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que as viaturas estavam em atendimento no momento da chamada para este caso e que, “com base nas informações dadas pela pessoa que acionou o serviço, foi verificado que era possível a espera da disponibilidade de uma viatura, o que foi providenciado assim que possível”.


Retificação

O Jornal da Cidade deixou de explicar, na matéria publicada na página 5 e na capa da edição de ontem, por que o volume de casos de violência contra idosos cresceu neste ano em comparação ao ano passado. Se em 2012 houve 167 registros do tipo, a média de ocorrências foi de 0,45 ao dia. Já nos três primeiros meses deste ano houve 58 denúncias, o que representa uma média de 0,64 registros ao dia.

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