Éder Azevedo |
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Força da água do rio arrancou a guia da calçada e provocou rachaduras ao longo de 150 metros na avenida |
Um deslizamento de terra ocorrido na madrugada desta sexta-feira, em decorrência das fortes chuvas, causou a interdição em uma pista do prolongamento da avenida Nuno de Assis, próximo ao trevo de acesso aos Núcleos Mary Dota e Beija Flor.
Conforme a Secretaria Municipal de Obras, o fato ocorreu após o nível do rio Bauru subir quase dois metros e ‘engolir’ parte da encosta de sua margem, provocando estragos na calçada e comprometendo um trecho de aproximadamente 150 metros da avenida.
Por conta dos riscos de novos deslizamentos, tanto a calçada quanto as pistas, sentido Centro-Bairro da avenida, foram interditadas pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), que deverá manter o trecho sinalizado até o fim das obras de recuperação.
Conforme o meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Fernando Tavares, a chuva da madrugada de ontem foi uma das mais intensas do ano, com 0,39 milímetros, perdendo apenas para a registrada entre janeiro e março quando, além de fortes, as chuvas chegaram a acumular 0,65 milímetros na cidade.
“Para um dia, essa é uma quantidade significativa. A chuva de ontem foi causada por uma frente fria que veio do Sul do país. Essas chuvas fortes são consideradas como resquícios do verão e devem continuar, parando somente com a aproximação do inverno”, alerta Tavares.
Desvios
Por conta da interdição do trecho afetado, os motoristas que trafegam rumo Centro-bairro deverão seguir pelo desvio no sentido contrário da pista até a rotatória do Mary Dota. Já para os condutores que seguem em direção bairro-Centro, a opção será alcançar o trevo de acesso à rodovia Marechal Rondon e à avenida Nuno de Assis por ruas do bairro Santa Luzia.
Para os pedestres, a orientação é de não utilizar o calçamento afetado, uma vez que o trecho apresenta riscos de deslizamento.
De acordo com o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, a previsão é de que a recuperação de todo o trecho afetado dure ao menos 20 dias.
“Teremos que voltar o rio ao seu leito normal, recuperar a margem que foi afetada recompondo a vegetação e refazer todo o calçamento. Os engenheiros estão avaliando os danos ao asfalto, que, provavelmente, também deve ser refeito nesse trecho”, aponta o secretário.
Assoreamento
Ainda segundo Rodrigues, a invasão da encosta se deve a um processo de assoreamento ocorrido ao longo dos últimos cinco anos na margem direita do rio, que teria provocado uma mudança de curso da água.
“O curso do rio acabou mudando ao longo dos anos, mas estávamos acompanhando e parecia estar estabilizado, por isso dávamos prioridade para outras obras. A margem chegava a três metros de extensão além da calçada. Contudo, as fortes chuvas dos últimos dias avançaram e acabaram com o barranco rápido demais”, explica.
Sidnei, que também é gestor ambiental, esclarece que o assoreamento é causado pela própria vegetação que acaba parando na encosta. “O galho começa a parar na beira do córrego e toda a areia e lixo que vêm no rio para ali. Nasce uma vegetação e vai invadindo o outro lado. Isso acaba mudando o curso do rio. Se essa limpeza tivesse sido feita com mais frequência, isso não teria acontecido”, acrescentou.
Ainda conforme apurado com o secretário, o rio possuía cerca de 10 metros de largura, mas com a invasão da margem aumentou seu leito para quase 15 metros. A profundidade do rio Bauru em dias normais naquele trecho não chega a um metro, conforme Manuelino Câmara Filho, diretor de divisão técnica do Departamento de Água e Esgoto (DAE), que atuará como parceiro da Secretaria Municipal de Obras para recuperação do trecho. “Por sorte, o emissário de esgoto que fica embaixo da avenida não foi afetado”, avalia Manuelino.
Força-tarefa
A força-tarefa para recuperação da margem da avenida Nuno de Assis e do curso do rio utilizará dezenas de homens, além de oito caminhões basculantes, duas retroescavadeiras e outros dois caminhões com pá carregadeira.
A primeira obra de recuperação teve início já na manhã de ontem e focou a normalização do curso do rio.
Segundo o JC apurou, somente com equipamentos e mão de obra os gastos da prefeitura alcançarão cerca de R$ 30 mil por dia, o que somado aos materiais que serão utilizados e pavimentação do trecho afetado devem chegar a quase R$ 1 milhão.