Douglas Reis |
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José Ângelo pratica a natação desde a infância |
Com energia de sobra, não faltam histórias para José Ângelo Oliva contar. Integrante da diretoria da Associação Luso-Brasileira de Bauru, foi presidente do clube nos últimos quatro anos e agora atua como vice. Nascido na cidade de Lençóis Paulista, veio para Bauru estudar direito, cidade onde se estabeleceu, fez muitos amigos e teve três filhas, que assim como ele, são advogadas.
“Eu tenho três filhas que são as minhas joias. Digo a elas brincando que elas me condenaram a folhear processos a vida toda, porque eu mostrei a elas o que é o direito e as três optaram pela carreira. Estou sempre por perto dando uma ajuda, e me sinto feliz por isso”, diz com orgulho o promotor de Justiça, que se aposentou recentemente.
Com a aposentadoria, o tempo livre do advogado passou a ser dividido entre o trabalho com as filhas, as atividades na Luso e as paixões que ele traz desde a infância: a natação e o motociclismo. “Há quem sinta necessidade de trabalhar até os 70 anos, até ser expulso da carreira, e depois não sabe o que fazer. Acho que você deve começar a se programar já aos 40 anos. A vida não é tão longa, mas também não é tão curta”, acredita.
Amante da aventura sobre duas rodas, José Ângelo tem, hoje, o grupo “Os Inflamáveis”, formado por ele e mais 12 amigos que colecionam histórias e se divertem por estradas nacionais e internacionais. “Aos 13 anos, comprei uma lambreta e era a diversão dos nossos finais de semana. A minha habilitação foi a primeira de Lençóis, fato que foi até engraçado, porque a moto dava interferência nos televisores da época”, relembra.
Quanto à natação, o entrevistado de hoje diz ser este o seu único esporte. Praticante desde a infância em rios, atualmente ele é competidor máster e coleciona vitórias merecidas. O próximo desafio, marcado para este mês, é o Campeonato Brasileiro Masters de Natação, em Porto Alegre. Confira estas e outras histórias a seguir.
Jornal da Cidade - Como o José Ângelo promotor de Justiça encara a aposentadoria?
José Ângelo Oliva - Eu sempre gostei muito de estudar direito e decidi que entraria para o Ministério Público. Fui promotor de Justiça desde 1983 até o ano passado, quando eu me aposentei. A aposentadoria veio não somente porque estava na hora, mas também porque eu estava dedicando boa parte do meu tempo à Luso. Há quem sinta necessidade de trabalhar até os 70 anos de idade, até ser expulso da carreira, e depois não sabe o que fazer. Acho que você deve começar a se programar já aos 40 anos. A vida não é tão longa, mas também não é tão curta.
JC - O que o senhor programou?
José Ângelo - Além da minha atividade no clube, eu havia me comprometido a ficar na carreira até que minhas três filhas se formassem, e isso já aconteceu. A carreira de promotor acabou me ajudando na advocacia, profissão que ainda exerço, se bem que hoje com muito mais tranquilidade. A aposentadoria também me permitiu mais tempo para as viagens de motocicleta, um grande prazer em minha vida.
JC - O senhor incentivou suas filhas a seguir os seus passos profissionais?
José Ângelo - Tenho três filhas que são as minhas joias. Sou apaixonado por elas e estamos sempre juntos. Eu brinco e digo a elas que acabaram me condenando a folhear processos a vida toda, porque eu mostrei a elas o que era o direito e as três optaram pela carreira. Não houve pressão e elas gostam muito da profissão. Uma é especialista em direito tributário, outra em trabalhista e outra, assim como eu, faz de tudo um pouco. Eu as estimulo ao serviço público e, depois da aposentadoria, estou sempre por perto dando uma ajuda, e me sinto feliz por isso.
JC - E como teve início a sua história com a Luso?
José Ângelo - Eu nasci em Lençóis Paulista, onde comecei a nadar. Já em Bauru, conheci o pessoal da natação e comecei a treinar no clube, então, passei a ser sócio, isso no início da década de 1970. E, há oito anos, eu fui convidado a participar do conselho deliberativo e fui conhecendo e gostando do clube em sua totalidade, já que no passado eu me voltava apenas para as piscinas. Acabaram me escolhendo para a diretoria porque eu conhecia direito e o clube precisava de alguém que estivesse inteirado sobre a situação do clube, que impossibilitou que a gente tocasse adiante a sede da cidade. Nesse período, eu já estava no final da minha carreira em São Paulo e acabei arrumando a papelada do clube para a venda. A sede de campo está funcionando a todo vapor, construímos aqui tudo o que é essencial para o funcionamento de um clube. Apeguei-me a Luso como algo que faz parte da minha vida.
JC - A natação ainda faz parte de sua vida?
José Ângelo - A natação é e sempre foi o meu esporte. Confesso que eu nunca chutei uma bola. Mas eu entrei nesse esporte de maneira inesperada e até engraçada quando eu tinha uns 8 ou 9 anos de idade. Eu e alguns garotos de Lençóis, alguns da família, estávamos nadando no rio da cidade em uma manhã de domingo quando apareceu uma pessoa e nos chamou para fazer um teste no clube da cidade. Viramos uma equipe de natação.
JC - Chegou a nadar profissionalmente?
José Ângelo - Participamos da nossa primeira edição dos Jogos Regionais sem nunca termos treinado em uma piscina, e até que nos saímos bem (risos). Porém, assim como aconteceu com a moto, eu dei uma parada na natação na época de faculdade, por causa do casamento e dos primeiros anos de carreira. Mas voltei às piscinas há um bom tempo, tive e estou tendo bons resultados. Conquistei a 6ª colocação no Campeonato Mundial Máster de 1990, tenho medalhas de campeonatos brasileiros, estaduais e boa colocação em sulamericanos. Minha atual categoria é dos 60 e 64 anos. Entre os dias 25 e 28 de abril participarei do Campeonato Brasileiro Masters de Natação, em Porto Alegre. E vou sobre duas rodas (risos).
JC - O esporte é pela saúde?
José Ângelo - Acima de tudo! A prevenção é o melhor remédio. Eu fumei por muitos anos, infelizmente, e fiquei naquela de parar e voltar por um bom tempo. Mas hoje, não fumo mais.
JC - Como nasceu a sua paixão pelo motociclismo?
José Ângelo - Ainda em Lençóis Paulista, onde vivi até os 18 anos de idade. Aos 13 anos, comprei uma lambreta e era a diversão dos nossos finais de semana. Alguns amigos também compraram pequenas motos e a gente passeava muito por toda a região. A minha habilitação foi a primeira da cidade, fato que foi até engraçado, porque a moto dava interferência nos televisores da época. Algumas até desligavam quando eu passava com a minha moto. Houve reclamações na polícia e tudo (risos). Quando me mudei para Bauru, eu acabei deixando o motociclismo de lado por uns 12 anos, tempo em que entrei para a faculdade de direito na Instituição Toledo de Ensino (ITE) e comecei a trabalhar na área. Lembro-me que, no primeiro dia de aula, eu arrumei um trabalho em um cartório e deixei o meu emprego em uma oficina mecânica de Lençóis. Alguns meses depois eu trouxe a minha mãe, já viúva, e minhas três irmãs. Assim, não sobrava tempo para as motocicletas.
JC - E quando voltou para as estradas sobre duas rodas?
José Ângelo - Fui voltando aos poucos. Em Bauru, eu acabei conhecendo outras pessoas que compartilham do gosto pelas motocicletas e hoje eu faço parte de um grupo de 13 amigos. O nome do grupo é muito engraçado: “Os Inflamáveis” (risos), porque quando estamos sobre as motos, voltamos a ser crianças. As brincadeiras, a diversão... São coisas inacreditáveis, só quem participa desses grupos consegue entender.
JC - Grandes histórias?
José Ângelo - Eu me sinto com 18 anos de idade novamente. Temos vivido demais esse mundo de moto e colecionado histórias. Certa vez, indo para a cidade de Tiradentes (Minas Gerais), um membro do grupo teve visões, viu fantasmas sobre uma das pontes da estrada, ao menos foi o que ele disse (risos).
JC - O próximo destino já está traçado?
José Ângelo - Viajamos pelo Brasil todo. Minas Gerais é uma maravilha com suas curvas e paisagens. Com o grupo, tenho uma viagem marcada para agosto. Vamos começar no deserto do Atacama (Chile) e chegar até Bariloche (Argentina), passando por lugares como a província argentina de Mendoza e Foz do Iguaçu. Mas, antes, vou viajar sozinho pelo Brasil. Em junho percorrerei os Estados de Goiás, Piauí, Tocantins, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e Espírito Santo. Passamos dias incríveis viajando.
Perfil
Nome: José Ângelo Oliva
Idade: 60 anos
Local de Nascimento: Lençóis Paulista
Signo: Sagitário
Filhos: Carolina, Natália e Priscila
Hobby: Motociclismo
Livro de cabeceira: “Cem anos de solidão”, de Gabriel Garcia Márquez
Filme preferido: “Doutor Jivago”
Estilo musical predileto: MPB
Time: Palmeiras
Para quem dá nota 10: Para todos os operadores do direito
Para quem dá nota 0: Para os políticos de Brasília
E-mail: ja.oliva@uol.com.br
