Tribuna do Leitor

O inventor


| Tempo de leitura: 2 min

Março nos trouxe fatos notáveis mostrados ao mundo pela mídia. Dentre eles e principalmente, a eleição e posse do papa, com toda sua pompa e majestade. Ainda, na sua ultima semana, este mês traz também os já conhecidos espetáculos que evocam a morte de Jesus. Tudo isso me trouxe a memória uma simples historieta, porem de grande profundidade, de autoria do jesuíta Anthony de Mello (1931-1987) narrada em seu livro " O enigma do iluminado" v-1, mais ou menos assim: - "Depois de muitos anos de trabalho um inventor descobriu a maneira de se fazer fogo. Era um homem simples, dotado de nobreza, bondade, e que não tinha o menor desejo de ser reverenciado ou mesmo lembrado. Tudo o que queria era passar seu conhecimento para que todos pudessem se beneficiar da sua descoberta.

Havia muita gente ansiosa para aprender a novidade. Porem, com medo da influencia na população por este estranho, os sacerdotes locais decidiram assassiná-lo. Para despistar qualquer suspeita do crime, estes mesmos sacerdotes mandaram eregir um retrato do Grande Inventor no altar do templo. Criaram farta liturgia destinada a reverenciar e manter viva a memória daquele homem. Exigiram que nenhum preceito dessa liturgia fosse modificado ou omitido. As ferramentas para fazer fogo pertencentes ao inventor foram guardadas em um relicário. Criaram a ideia de que estas ferramentas poderiam produzir curas e benefícios em todos aqueles que as tocassem com fé.

Um livro foi elaborado a fim de exaltar todas as qualidades desse inventor, como exemplo a ser seguido por todos. Seus feitos foram muito enaltecidos e a sua natureza sobre-humana foi transformada em artigo de fé. Tomou-se providencia para que esse livro passasse às futuras gerações, tomando-se o cuidado de deixar somente aos sacerdotes a autoridade para interpretar o sentido das palavras nele contidas, bem como do significado da vida e morte virtuosa daquele homem. Ainda acentuando o domínio sobre o povo, puniam com extrema severidade, morte ou excomunhão quem fosse contrario ou se afastasse da doutrina então instituída. Assim sendo, ocupado e preocupado com tantas tarefas religiosas, o povo esqueceu completamente a arte de fazer fogo".


Antonio Grecco

Comentários

Comentários