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Em Bauru, os casos de dengue já ultrapassam os 2 mil |
A cidade de Bauru registrou mais de dois mil casos de dengue do início do ano até março. Mesmo diante deste grave cenário, alguns municípios da região se mantêm ilesos quando se trata de doentes. Borebi, que tem trânsito constante de pessoas para Bauru, ainda está invicta. A “fórmula” usada para ocupar essa posição ninguém sabe ao certo, mas há características do município que podem ter cooperado. A população é pequena, com um total de 2.300 incluindo os habitantes da zona rural.
A equipe de fiscalização visita todas as casas da cidade durante o mês, e dois agentes estão na função há mais de 15 anos. Se alguma residência estiver com criadouro ou acumulando lixo, o funcionário notifica o dono e dá prazo de 10 dias para a regularização do imóvel. Caso contrário, será multado.
“Nenhum morador chegou a ser multado. Eles recebem a notificação e regularizam a situação rapidamente. Nossos agentes sabem quais imóveis apresentam problemas, porque são sempre os mesmos. Eles conhecem todos os moradores. A casas são visitadas uma vez por mês”, explica o chefe da Vigilância Sanitária de Borebi, Sinvaldo Ribeiro Novais. Na região, foram registrados 856 casos da doença até 13 de março. Os números são da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. No mesmo período foram confirmados quatro óbitos ocasionados pela doença nas regiões da Baixada Santista, Presidente Prudente, Sorocaba e Registro.
A secretaria esclarece que o trabalho de campo para o combate e controle da dengue é de responsabilidade de cada um dos municípios. “Conforme diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS), o trabalho de campo para o combate e o controle da dengue cabe às prefeituras, por intermédio de suas secretarias municipais de Saúde. O Estado, por intermédio da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), apoia os municípios no combate à dengue mediante a capacitação de pessoal e suporte em ações.”
Confirmações
Em todo o Estado de São Paulo, segundo a secretaria, de janeiro até 13 de março foram contabilizados 14.583 casos de dengue. O órgão esclarece que só trabalha com os registros confirmados.
“Para consolidar os dados de dengue, é necessário que todos os 645 municípios enviem os números. A Secretaria trabalha apenas com casos confirmados da base de dados oficiais do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), do Ministério da Saúde. É importante ressaltar que são os próprios municípios que alimentam o sistema e que têm um prazo de três meses para a atualização dos casos.”
Para auxiliar no manejo clínico dos casos suspeitos, desde 2011 a Secretaria Estadual oferece aos serviços de Saúde treinamentos rápidos, com duração de 15 minutos, realizados no próprio local de trabalho onde os médicos e profissionais de enfermagem atuam.
No ano passado, o órgão público convocou secretários de Saúde de 13 municípios acima de 60 mil habitantes com indicação à transmissão da doença com o objetivo de alinhar ações de prevenção e controle da dengue.
O trabalho do poder público sem a participação da sociedade de nada vale, conclui a secretaria. “A participação da sociedade é fundamental, uma vez que cerca de 80% dos criadouros do mosquito Aedes aegypti estão no interior das residências.”
Bariri teve ‘arrastão da limpeza’
A cidade de Bariri tem 30 mil habitantes e, de janeiro a 7 de março deste ano, havia registrado apenas um caso. Porém, na 2ª quinzena do mês os casos aumentaram para cinco e desencadearam algumas ações para conter a transmissão.
Uma delas foi um “arrastão” na cidade, retirando das residências os materiais acumulados, explica a chefe da Vigilância Epidemiológica, Vânia Ferrari. “As visitas casa a casa e a conscientização da população são o mais importante. Estamos fazendo a nebulização da rede de esgoto e dos bueiros, que acaba com os pernilongos, ratos, aranhas etc. Toda essa ação não vale nada se não for feito o controle com os agentes. Porque a nebulização extermina o mosquito adulto, mas a larva permanece.”
Ela explica que no município há quatro Postos de Saúde da Família (PSF) e 24 agentes comunitárias de saúde. “São elas que fazem a orientação e a verificação das residências. Além da orientação verbal, tem manejo também. Elas vão junto com o morador, mostram onde estão os focos de dengue e retiram. Além disso tem o pessoal da Vigilância Epidemiológica que também percorre a cidade onde não é coberto pelo PSF. Eles cobrem os pontos estratégicos, fábricas, depósitos, o comércio em geral, fazendo o mesmo tipo de trabalho, orientando e olhando as propriedades.”
Na prevenção, o município desenvolve palestras nas escolas. “Nosso maior veículo de comunicação é a criança. Ela que vai tomar conta do pai e da mãe, da casa deles. Eles é que falam sobre a embalagem que acumula água. Essa orientação é passada para a criança. Na semana que vem estaremos fazendo uma mobilização nas escolas, Emeis e creches.”
Panfletos, cartazes no comércio e nos postos de saúde são outras ‘armas’ usadas para divulgação. “Usamos a rádio. Em cada ponto da cidade tem um PSF e eles também orientam. Os dois casos importados não são cobertos pelo PSF, os três cobertos pelo PSF ficam na área periférica da cidade. É o que mais preocupa por isso estamos fazendo o arrastão. Começamos dia 18 e deve ter duração de até 15 dias. A chuva atrapalhou bastante depois teve o feriado da semana santa.”
Segundo ela, a preocupação do prefeito é com os criadouros. “A periferia preocupa porque as pessoas não têm condições financeiras para retirar lixo, entulhos de seus quintais, pois teriam que pagar uma caçamba. Com o mutirão, eliminamos esses focos. Recolhemos 950 toneladas em 10 dias. Havia muito sofá, colchão e pneus que é o que mais nos interessa.”
Para ela, o trânsito de pessoas entre Bauru e Bariri não preocupa muito. “O maior número de pessoas que se desloca para Bauru é no período noturno. O mosquito da dengue tem hábitos diurnos. Dois casos foram importados de Bauru. Uma senhora e seu filho se deslocaram daqui e ficaram naquela cidade no apartamento da filha por uma semana.”
Macatuba tinha um único caso
O final de março ficou marcado no município de Macatuba pela ‘explosão’ de casos de dengue. De janeiro até o dia 07 de março deste ano, era um único caso confirmado. Mas na última semana foram registrados outros 14. Conclusão; em um único mês os casos saltaram de um para 15.
Para a enfermeira da vigilância epidemiológica municipal, Andrea Palaro Frascareli é possível que alguém contraiu a doença e não procurou os serviços de saúde, por conta disso não foi feita a notificação da dengue. “Não tinha registrado nenhum caso autóctone, não tínhamos mosquito infectado. A falta de notificação acabou gerando os outros casos, porque passamos a ter o mosquito infectado.”
Para ela o trânsito de pessoas entre Bauru e Macatuba não foi o principal fator desencadeante da explosão de casos de dengue. “Embora Bauru esteja sofrendo com uma epidemia de dengue, não tivemos nenhum caso importado de lá. Os casos confirmados são de pessoas que vieram de Sorocaba, Barretos, Sergipe e Mato Grosso. Estamos com sorte porque todos os dias mais de 200 pacientes daqui são levados para tratamentos em Bauru.”
A enfermeira enfatiza que 80% da cidade é coberta pelos agentes de saúde que passam de casa em casa orientando e retirando vasilhas com acúmulo de água. “Trabalhamos com orientações nas escolas, clubes de serviços. Distribuímos folhetos e o aumento dos casos fez com que colocássemos carro som nas ruas avisando a população sobre os perigos e as providências a serem tomadas. Recentemente fizemos um mutirão da limpeza, por conta dos caramujos que já ajudou a diminuir os focos. Essa semana o número de notificações está em queda. Não houve registro algum.”
Borebi não notificou nenhum caso
A cidade de Borebi (45 quilômetros de Bauru) é uma das poucas no Estado de São Paulo que continua sem notificação de casos de dengue e nem suspeitos aguardando resultado de exame. Isso coloca o município em destaque na lista das notificações da doença na região, embora o trânsito de pessoas para Lençóis, Agudos e Bauru seja constante. Qual é o segredo dessa comunidade? Para saber a fórmula usada, procuramos o chefe da Vigilância Sanitária Municipal, Sinvaldo Ribeiro Novais.
Uma das hipóteses, a mais óbvia, é que em Borebi são apenas 2.300 moradores incluindo aqueles que moram na zona rural. O baixo número de habitantes permite uma fiscalização mais eficiente, afinal, o número de habitações é menor. Mas há dois itens nas ações de combate à dengue que diferem das demais cidades.
“Dois dos agentes da equipe de fiscalização fazem o trabalho há mais de 15 anos, são conhecidos dos moradores. As casas que não estão abertas ou que não permitem a entrada dos fiscais são notificadas. O prazo para elas regularizem a situação é de 10 dias. Do contrário, são autuadas.”
Novais frisa que o município segue as indicações da Sucen. “O pessoal está bem consciente porque mantemos um trabalho constante. Tivemos 22 casos suspeitos de janeiro a março, mas todos deram negativo.”
Em Arealva, projeto prevê a entrega de prêmios para eliminar criadouros
A cidade de Arealva não tem casos de dengue. Vários pacientes foram encaminhados para exames entre janeiro e março, mas todos foram negativos, comemora a enfermeira do PSF 1 Lucimari Bertoco.
Para ela, a fórmula usada para manter o município longe da doença são as visitas de casa em casa feitas pelos agentes. Porque é nesse momento que os moradores são orientados e os criadouros do Aedes aegypti retirados.
A coordenadora do controle de vetores, Adriana Aparecida Ferreira de Oliveira, aposta no trabalho desenvolvido durante todo o ano. “Fazemos palestras com a comunidade, arrastões de limpeza e bloqueios nos locais onde havia casos suspeitos, com isso conseguimos manter a cidade livre da dengue.”
Ela enfatiza que no ano passado foram desenvolvidas várias ações. Para este ano há um arrastão de limpeza programado para o próximo mês e um projeto para fazer com que as crianças troquem a limpeza dos criadouros por prêmios. “O projeto vai para a Câmara aprovar.”
Lençóis Paulista faz a tarefa diária
A cidade de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) tem aproximadamente 66 mil habitantes e os problemas relacionados à dengue, como todos os demais municípios do Estado de São Paulo. A diferença é que a administração local realiza um trabalho contínuo de visitas às casas e toda semana faz recolha de inservíveis, o que diminui muito os criadouros do mosquito Aedes aegypti. O resultado é que desde janeiro deste ano, a cidade registrou nove casos de dengue, seis deles importados e três autóctones.
O número de casos em Lençóis Paulista pode parecer baixo se comparado com outras cidades de mesmo porte, mas não satisfaz o diretor municipal de Saúde, Márcio Santarém. “Considero um número baixo frente ao que estamos passando no Estado e no País. O resultado é bom, sinal da colheita de bons frutos, mas para mim, o ideal era zero. Temos um índice de Breteau (infestação) baixo, trabalho todo o ano.”
Ele compara o trabalho de combate à dengue ao da dona de casa. “Dengue, leishmaniose, saúde pública é um serviço de todos os dias, o ano todo, contínuo. Temos 100% de cobertura de agentes comunitários de saúde. Eles fazem o trabalho relacionado à dengue, leishmaniose, promoção e prevenção de saúde. O nosso diferencial são os mutirões semanais.”
Os lençoenses já estão acostumados com o carro som e o aviso dos agentes sobre a recolha dos inservíveis. “Escolhemos os bairros e fazemos o mutirão. É um trabalho desenvolvido junto com a diretoria do meio ambiente. Toda terça, quarta e quinta-feira estamos com essa ação.”
Em um único mutirão na cidade toda foram recolhidas 100 toneladas de lixo. “No final de janeiro e começo de fevereiro fizemos um trabalho de maior abrangência. Coletamos de tudo, colchão, estante, geladeira, restos de madeira, pneus, latinhas, vasilhas de plástico e muita coisa que acumula água e serve de criadouro para o mosquito transmissor da dengue. O trabalho durou cerca de 20 dias.”
Para mobilizar a população, segundo o diretor, eles lançam mão de todos os veículos de comunicação. “Usamos os jornais, rádios, o aviso verbal através dos agentes e até carro som. Os agentes sabem as residências onde o pessoal costuma acumular mais inservíveis, os mais críticos. Nesses pontos deslocamos um supervisor, as enfermeiras para incentivar os moradores que apresentam mais resistência em permitir a entrada dos agentes. Já estou propondo outro mutirão.”
Na opinião dele, o recolhimento de inservíveis não termina. “Se hoje completar todo o ciclo da cidade, amanhã vai ter inservível de novo. Falta conscientização. Precisa educar a população. Em final de semana, especialmente, tem festas em praças e pouca gente coloca o copo e os recicláveis no local certo. Deixam nas calçadas, praças. Com o vento e a chuva, esse material para a beira dos córregos, próximo á linha férrea. Nós temos que ir até lá recolher. Temos a recolha do reciclável que cobre a cidade toda.”
Em Lençóis tem três Ecopontos onde a população pode depositar poda de jardim, restos de materiais de construção e outras coisas. “Existem pessoas que não utilizam, preferem jogar nas rodovias. Falta educação. Existem as lixeiras.”
Na área preventiva, as escolas e peças teatrais tentam educar as crianças como multiplicadores. “Fizemos um trabalho junto às professoras, desenvolvemos peças teatrais, jogos interativos. No ano passado fizemos uma olimpíada.”
Bloqueio aos casos confirmados é arma usada em Avaí
A dengue esteve longe dos moradores de Avaí de janeiro a 7 de março, segundo dados da Vigilância Epidemiológica Estadual. Porém, no final de março dois casos assustaram os profissionais de saúde. Um deles foi importado do Rio de Janeiro. Um morador viajou para lá. O outro era autóctone (contraído na própria cidade).
A enfermeira chefe Marta Peixoto Duarte Ernica diz que a partir da confirmação dos casos foram desencadeadas as ações. “Estamos com ações de vigilância sanitária, o casa a casa, orientando e cobrando da população a limpeza dos quintais, a recolha dos criadouros.”
De acordo com Ernica, a partir da confirmação a Sucen de Bauru começou a nebulização. “Fizemos o bloqueio em 400 metros da residência dos casos confirmados e a nebulização. Esperamos conter o número.”
Barra: arrastão na orla
A Estância de Barra Bonita recebe turistas de todo o Brasil, áreas onde há doentes e possivelmente mosquitos infectados. Para manter um número baixo de doentes, o município investe na limpeza, inclusive da orla e no bloqueio imediato, mesmo antes dos casos serem confirmados. O resultado é que a cidade com pouco mais de 37 mil habitantes registrou apenas dois casos de janeiro a março. Um deles foi importado de Bauru e outro de Piracicaba.
A encarregada do setor do controle de vetores, Sandra Castelo, explica que quando há festas na orla, os agentes fazem uma verdadeira ‘limpa’ para retirada dos criadouros. “É para não correr risco de transmissão, já que há a possibilidade de um turista infectado visitar o local.”
Infectologista: doença pode explodir
“As pessoas não têm senso de cidadania e deixam dentro de suas casas recipientes que acumulam água limpa onde o mosquito Aedes aegyti se prolifera. A questão da dengue que as pessoas gostam de jogar para o poder público é de responsabilidade de cada um,” enfatiza o professor de infectologia da Faculdade de Medicina de Botucatu, Carlos Magno Fortaleza.
Especialista no assunto, ele frisa que a preocupação atual em relação à dengue é que está em circulação o tipo 4. “Já tivemos e temos ainda em circulação, em menor número, os tipos 1, 2 e 3. As pessoas que já tiveram algum desses tipos ficam imunes a eles. Mas o tipo 4 é novo e as pessoas não têm imunidade para ele. O grande problema é que, se a pessoa tiver dengue pela 2ª vez, há uma grande chance de ser caso grave.”
Fortaleza explica que ninguém contrai dengue pela 2ª vez com o mesmo tipo de vírus. “A diferença do tipo 1 para o 4 é muito pequena. Uma pessoa que teve tipo 1 nunca mais terá, mas poderá ter o 4.”
Para ele, aproximadamente 80% dos casos de dengue são tão leves que nem são notificados. “Passam como uma indisposição, mal estar, febrinha. Tão rápida que muitas vezes a pessoa nem procura atendimento médico. Há uma grande quantidade de pessoas que tiveram dengue e nem sabem”, afirma.
É nessa tese que ele se apoia para explicar que muitas cidades estejam com os índices zerados. “Em todo o mundo há possibilidade de subnotificação. Necessariamente isso não significa que o sistema é ruim. Se a pessoa que tiver algum sintoma não procura o atendimento médico, o caso fica perdido. Evidentemente que nas cidades maiores com estrutura melhor de vigilância epidemiológica acabam tendo uma sensibilidade maior também para encontro dos casos.”
Tipos e epidemia
Segundo ele, quando uma cidade sede da região tem uma epidemia de dengue não é sinônimo de que as localizadas nas imediações vão sofrer com o mesmo problema. “Não há garantia que se uma cidade tem uma epidemia, a outra vai ter. O mosquito tem uma autonomia de voo de 100 a 200 metros de onde nasceu. O ovo dele pode ser transportado dentro de materiais de um lado para outro. O grande transporte não é o mosquito voando a longa distância, e sim a pessoa infectada se deslocando para outro lugar onde tem o Aedes aegypti.”
São muitos os aspectos a serem considerados quando o assunto é transmissão, na opinião do médico. “Não dá para apontar uma razão específica para Bauru ter notificado vários casos e não serem identificados nas cidades vizinhas. O que a gente pode dizer é que qualquer cidade hoje que não tem dengue é uma bomba relógio. Pode explodir a qualquer momento.”
O professor enfatiza que a certeza é que há fatores que colocam as cidades em situação propícia a receber de ‘braços abertos’ a dengue. “Densidade populacional, a proximidade com lugares onde tenha água acumulada, especialmente grandes reservatórios que são domésticos. O mosquito gosta de colocar seus ovos próximo à água limpa. A água da chuva que cai na terra fica suja e não interessa ao Aedes.”
O infectologista explica que muitas cidades que tiveram epidemia dos tipos 1, 2 e 3 estão livres de sofrer de novo com esses tipos de vírus. “O que está predominando neste ano na região é o 4. Os outros tipos já rodaram muito nessa região e têm mais dificuldade em se espalhar. O mosquito pica uma pessoa que já teve dengue 1, 2 ou 3 e essa pessoa já está imune. Já o tipo 4 se espalha com mais facilidade porque ele é novo”, explica Fortaleza.
