Tribuna do Leitor

"Bêbado que eu dirijo bem"


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Destruir uma vida é como acabar com a esperança que esperamos por dias melhores. Onde uma simples imprudência de um motorista alcoolizado em alta velocidade pode acabar com essas esperanças. Hoje em dia é visivelmente perceptível o aumento de mortes no trânsito que vem ocorrendo devido a pessoas que combinam bebidas alcoólicas com direção. No entanto, como culpar uma pessoa que acaba por lesionar uma pessoa com danos irreparáveis ou até mesmo ceifar a vida de alguém? Diferenciar um homicídio doloso de um homicídio culposo. É algo que deve ser analisado caso a caso, ainda com grandes chances de se cometer um equívoco. Já que é difícil você diferenciar uma pessoa embriagada que sabe das grandes chances de colidir com outro veiculo, mas não estar ligando para a possível tragédia, de uma pessoa embriagado que também sabe das grandes chances de colidir com outro veículo, mas acha improvável que vá acontecer.

Os fatos são o que irão dizer o que pode ter ocorrido e qual o tipo de homicídio cometido. Uma pessoa embriagado que resolve dirigir por acreditar que está bem, e que não irá colidir com outro carro, além de já estar arriscando sua vida e de outros dirigindo bêbada, também resolve fazer ultrapassagens e atravessar sinais vermelhos.

Ela pode ter a consciência de um homicídio culposo, porém, age de forma a se ver claramente que ela poderá praticar um homicídio doloso. Pois ela insiste em infringir mais leis, além da lei seca. O controle policial, quanto à lei seca, jamais se equipara à quantidade de motoristas que tiram suas habilitações anualmente. O que dificulta ainda mais tentar a redução de acidentes devido à ingestão de álcool.

Apesar das campanhas, ainda existe a ignorância, a infantilidade e o orgulho humano, onde as pessoas, em sua maioria, crêem que tem total condição de dirigir após ingerir certa quantidade de álcool. E o resultado acaba sendo o alto índice de mortes por acidentes no trânsito. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) deveria ser mais rígido quanto às penas, seguindo o Código Penal, pois a partir do momento que você ingere álcool e senta-se atrás de um volante, você já está infringindo a lei e colocando outras pessoas em risco.

E a vida de uma pessoa não pode ser suprida com penas leves, pois a Justiça é feita para julgar os injustos. E é injusto saber que alguém tirou a vida de uma pessoa, e está mesma foi penalizada de uma forma tão simples, desvalorizando a vida humana.

No momento em que começamos a aprender as regras da sociedade, é constantemente visto que não se deve dirigir alcoolizado, e mesmo após anos e anos até poder tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), as pessoas insistem em infringir esta lei, esquecendo-se que o veículo muitas vezes pode ser uma arma mais letal do que uma simples faca, ou até mesmo um revólver. No momento que ela recebe sua CNH, ela obrigatoriamente tem que saber que estará constantemente, enquanto em um veículo, armada.

Quanto vale a vida de uma pessoa? Não é injusto julgar uma pessoa que cometeu um homicídio culposo, pois mesmo não acreditando que poderia acontecer, ela já estava infringindo outras regras da sociedade. Assim como uma pessoa que possa andar armada pela rua, e não acreditando que terá de usar sua arma acaba se vendo em uma situação e sem ter um mínimo tempo para pensar, dispara sua arma e tira a vida de outra pessoa. A justiça deve acontecer de forma séria e severa, pois só mostrando que leis existem é que talvez a humanidade tome consciência de que seus atos acarretarão em consequências.

Wesley Conrado Martins, 20 anos. Graduando em Direito

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