Quem são os maiores traidores da história? Judas Iscariotes foi, provavelmente, o mais conhecido e odiado de todos, por ter entregado o Messias aos guardas romanos, através de um beijo em troca de 30 moedas de prata. Antes dele, já surgia Brutus ("até tu, Brutos, meu filho?"), que participou no assassinato de Júlio César. Lembramo-nos também de Joaquim Silvério dos Reis, que traiu a inconfidência mineira e Tiradentes. E quem de nós já não foi traído ou se sentiu como tal? O brasileiro faz parte de um povo traído por seus governantes. Vai às urnas, cumpre com seu dever cívico de escolher aqueles que dirigirão seu país e cidades e depois observam que tudo foi inútil.
O leitor mais apressado diria: "Ora, os traidores são os políticos." Meia verdade, porque ali está apenas "a maioria deles". Mas a diversidade deles é variada. Os traidores são muitos, usam disfarces, estão infiltrados em várias esferas do poder e em outras nem tão diretamente ligadas a ele. Além da política (em nível federal, estadual e municipal), podemos encontrá-los nas ONGs, econômica, nos bancos, nos Tribunais de Justiça, nos ministérios, na diplomacia, nos serviços de espionagem e inteligência, na mídia falada, escrita e televisiva e até (pasmem!) nas igrejas e universidades. Assustaram-se? É para assustar mesmo, pois é a mais pura verdade.
Existem muitos "Judas Iscariotes" que nos traem diariamente. Amigo, traidor, injusto e não confiável. Sim, é injusta a traição de um amigo que parecia confiável. O que vem a ser isso? Será que alguém pode qualificar um amigo traidor ou confiável? Será que as pessoas sabem o significado da palavra lealdade?
Segundo o dicionário Aurélio, é ser sincero, franco e honesto, fiel aos seus compromissos quanto ao "traído". Falam mal pelas costas e depois se dissimulam na frente como bonzinho. Têm uma porção de pessoas que são assim, principalmente quando há interesses em jogo.
Amigos quando são leais não provocam, não menosprezam, não esquecem, não são indiferentes, se mostram sempre presentes mesmo quando outro erra. Não são covardes, não mentem descaradamente para outros e para si próprio, não são dissimulados e não se vendem. Ser desleal com um amigo ou um grupo é dar flores com espinhos.
Marcos Augusto de Freitas - jornalista