Durante fiscalização no pedágio da Raposo Tavares, em Palmital, na tarde deste domingo (7), um ônibus foi abordado e, durante revista nos passageiros, foram apreendidas 102 cápsulas de cocaína no estômago de um casal, que atuava como “mula”.
O homem e a mulher, ambos de nacionalidade boliviana, haviam engolido cápsulas com a droga e tinham como destino a cidade de São Paulo. A dupla, que teria embarcado em Corumbá (MS), na divisa com a Bolívia, foi encaminhada ao Pronto-Socorro Municipal para que expelissem o entorpecente, que foi apreendido pela Polícia Civil e totalizou 1,59 quilo.
Segundo informações da polícia, durante vistoria nas bagagens, os policiais encontraram cinco cápsulas de cocaína dentro de um pote de creme para cabelos pertencente à costureira Paola Fernandes Garcia, de 31 anos, que reside na Província de Montero, nas proximidades de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. A acusada confessou que levava a droga e que havia ingerido várias outras cápsulas. Ela era acompanhada do cunhado, o carpinteiro Victor Hugo Rojas Villarroel, de 28 anos, também residente na mesma região boliviana.
Apesar de negar que transportava droga, o homem acompanhou a cunhada até o Pronto-Socorro Municipal de Palmital, onde exames de raio-X constataram que os dois estavam com a droga no estômago. Devido ao risco de rompimento dos invólucros e uma inevitável morte por overdose, eles ficaram em observação na unidade sob os cuidados de médicos e enfermeiros para a realização dos procedimentos que fizessem eles expelirem a droga do sistema digestivo. Durante as mais de 24 horas em que receberam o atendimento de saúde, os dois foram escoltados por policiais rodoviários.
Até o final da noite de domingo, quando houve o registro da ocorrência na Delegacia da Polícia Civil de Palmital, a mulher havia expelido 39 cápsulas, além das cinco que estavam no pote de creme. O homem evacuou 28 invólucros até o registro do boletim de ocorrência (BO).
Até o final da tarde de segunda-feira (8), a costureira eliminou outras 28 porções de cocaína do organismo e o carpinteiro outras 32. No total, foram apreendidas 102 cápsulas, da qual parte foi encaminhada para constatação no Instituto de Criminalística de Assis e teve resultado positivo para cocaína.
A costureira foi levada para a Cadeia de Pirajuí e o carpinteiro para a Cadeia Pública de Lutécia, onde aguardam transferência para centros de detenção provisória. Os acusados disseram aos policiais que haviam sido contratados por uma pessoa que não conhecem para realizar o trabalho, pelo qual receberiam US$ 500,00 cada. Eles também informaram que haviam ingerido as cápsulas na cidade de Ladário, nas proximidades de Corumbá.
Além das drogas e das bagagens, eles portavam cartões de entrada e saída do País, expedidos pela Polícia Federal, além de passagens de ônibus, que especificavam os trechos Corumbá-Campo Grande e Campo Grande-São Paulo.
O delegado Marcelo Armstrong Nunes, chefe da Polícia Civil de Palmital, disse que irá abrir inquérito para apurar as informações prestadas pelos acusados, que disseram não conhecer a pessoa que os contratou para fazer o transporte da droga, bem como identificar a origem e o destino do entorpecente, pois os bolivianos eram usados apenas como “mulas” para o transporte da cocaína.
Ele acredita que, pelas características, a droga seria utilizada para refinamento, o que poderia render até três vezes mais que o peso bruto apreendido com a dupla em Palmital.