A Polícia Civil investiga o vazamento de grande quantidade de óleo mineral em uma empresa recém-desativada na Vila Aviação B, em Bauru. Cerca de 5 mil litros do produto escorreram de um transformador após uma possível tentativa de furto de fios de cobre. Contudo, mesmo que tenha havido a ação de ladrões, o proprietário da empresa pode ser responsabilizado.
O vazamento foi divulgado ontem, com exclusividade, pelo JC. Segundo o boletim de ocorrência (BO), a Polícia Militar (PM) foi acionada até a quadra 1 da rua Francisco Marinato e lá constatou que de um transformador elétrico, de 38 toneladas, pertencente a uma empresa de guindastes, vazava grande quantidade de óleo. O proprietário (o nome foi preservado pela reportagem), de 49 anos, informou que o vazamento foi provocado por uma tentativa de furto de fios.
O BO informa ainda que o óleo escorreu por parte do terreno naquela via e seguiu até o cruzamento com a rua Inácio de Conceição Vieira. Depois, seguiu por duas quadras, onde teria atingido uma galeria de águas pluviais.
A Cetesb e a Polícia Ambiental foram acionadas. O Corpo de Bombeiros também precisou conter o vazamento para que não chegasse à rodovia Marechal Rondon.
A apuração também contou com a presença do Instituto de Criminalística (IC), que teria assinalado a falta de segurança da empresa. A perícia não encontrou o instrumento usado para quebrar a válvula de segurança do transformador e nem o cadeado que, segundo o proprietário, teria sido arrombado pelos ladrões.
O caso foi registrado como tentativa de furto e também como poluição de qualquer natureza. “O laudo pericial será muito importante para verificar o que ocorreu”, aponta o delegado Dinair da Silva, titular da Delegacia de Crimes Ambientais.
Ele explica que, primeiro, será apurado se realmente houve o furto. Mesmo que seja comprovada a ação dos bandidos, porém, o proprietário da empresa desativada também pode ser responsabilizado.
“Iremos verificar se o transformador elétrico estava bem acondicionado. Precisamos saber se o proprietário garantiu a segurança”, relata o delegado. A pena por causar poluição (artigo 54 da Lei de Crimes Ambientais) é reclusão de 1 a 4 anos e mais aplicação de multa.
Cetesb
Em nota, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) afirmou que um agente foi enviado ao local do vazamento. Ele teria sido informado que a empresa encerrou suas atividades há cerca de 20 dias, deixando apenas o transformador de 38 toneladas.
A agência ambiental ainda não se pronuncia sobre dano ao meio ambiente, contudo afirma que já estuda o que fazer. “Em função do episódio envolvendo o vazamento de efluentes líquidos em via pública, a Cetesb estuda as ações cabíveis a serem tomadas, em relação à empresa responsável”.
Apesar de já ter sido registrado na polícia que vazaram 5 mil litros do produto, o órgão espera a quantidade exata para definir a medida que será tomada.