Tribuna do Leitor

Da Lei Áurea à nova Lei das Domésticas


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Nos tempos de outrora, em que no Brasil havia escravos, não era só na lavoura que eles trabalhavam; havia os "escravos de dentro" que corresponde ao que hoje se chama de funcionários domésticos.

As cozinheiras, copeiras, lavadeiras, passadeiras, os jardineiros, copeiros e outros que tais, que exerciam suas funções dentro da casa de seus senhores e/ou patrões são os que hoje deverão ser regidos pela nova lei das domésticas.

Quando a Lei Áurea os libertou, muitos e muitos, talvez mesmo a maioria desses velhos criados domésticos, por terem casa, comida e quem deles cuidassem, em casos de necessidade, preferiram ficar como estavam, na casa que era considerada a casa deles, quase sempre tratados como agregados à família, tanto que até em nossos túmulos de família, lá encontramos muitas vezes, o nome da babá cujo corpo foi enterrado junto com os das crianças que ela ajudou a criar, quando era escrava da família e mesmo depois de liberta que não quis a liberdade, para não sair de onde se sentia querida e protegida.

E suas descendentes, muitas delas hoje professoras e/ou profissionais da classe média para cima, respeitadas e respeitáveis, vieram da senzala para a casa grande e se agora uma nova lei faz com que muitas descendentes delas ainda existam, exercendo trabalho doméstico, é preciso verificar, se outra vez não se repete o caso em que uma lei, ao invés de alterar suas vidas para melhor, não venha a fazer com que prefiram o "status quo", o jeito como estão junto aos seus patrões que as estimam e protegem.

Isolina Bresolin Vianna

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