Política

DAE inaugura hoje o primeiro poço pago pela iniciativa privada

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

A partir desta sexta-feira (12), uma região formada por cinco bairros e parte do Centro de Bauru, onde foi registrado grande boom imobiliário nos últimos anos, passará a ser abastecida pelo poço profundo de captação de água Nações Unidas 2. Ele será inaugurado às 16h de hoje e foi o primeiro a ser integralmente custeado pela iniciativa privada. A capacidade do poço, gerido pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE), corresponde à demanda de 11 mil pessoas.

Aceituno Jr.

Região formada por cinco bairros e parte do Centro de Bauru passará a ser abastecida pelo poço profundo de captação de água Nações Unidas 2

Os bairros abastecidos serão Vila Universitária, Jardim Panorama, Jardim Contorno, Jardim Brasil e Vila Engler. O poço vai captar água do Aquífero Guarani a uma profundidade de 320 metros, com vazão de 200 mil litros por hora, e substitui o poço Nações Unidas 1. Perfurado em 1989, ele tem vazão limitada, em torno de 40 mil litros por hora.

Por conta disso, nos últimos anos, a região que vai ganhar o novo poço tem sido abastecida, majoritariamente pela água captada do rio Batalha, distribuída a partir da Estação de Tratamento de Água (ETA).

O investimento para a perfuração do poço gira em torno de R$ 1 milhão e foi dividido entre as empresas Aiello Incorporadora, Assuã Construções, CGC Construtora, Dinâmica de Bauru, Gobbo Engenharia, Ipê Azul Construções e Residec Construtora.

Todas elas possuem empreendimentos residenciais, não apenas na região da avenida Nações Unidas, como também em outras localidades, como na Vila Falcão, onde o abastecimento de água é garantido pela ETA.

“Mesmo onde não haverá a distribuição de água deste poço, haverá benefício, pois a região desses cinco bairros deixará de receber água do Batalha”, explica o diretor de Abastecimento e Reservação do DAE, Igor Fournier.

No ano passado, o Jornal da Cidade noticiou que estavam em construção 35 mil unidades residenciais, sendo verticais em grande parte. Elas estão, justamente, concentradas no eixo em torno da avenida Nações Unidas.

Parceria

Fournier afirma que a parceria com formato inédito entre o DAE indica uma nova concepção de desenvolvimento sustentável. “A iniciativa, inclusive, viabiliza o empreendimento, que não teria sucesso em uma região onde há problemas com o abastecimento de água”.

O poço entregue no Octávio Rasi, no ano passado, também foi custeado pela iniciativa privada, através da construtora Rodobens. No entanto, a autarquia viabilizou o funcionamento do equipamento, assumindo os gastos relativos à instalação de rede elétrica e da bomba responsável pela captação da água.

Benefícios

Igor Fournier ressalta que o funcionamento do poço Nações Unidas 2 vai possibilitar maior vazão de água produzida pela ETA para regiões onde as condições hidrogeológicas não permitem a captação subterrânea. “Em bairros como o Jardim Ferraz, Vila Ipiranga e Parque Viaduto, não adianta perfurar poço”.

Ele explica ainda que o sistema criado permitirá que, em eventuais problemas do novo poço, a água produzida pela ETA seja direcionada ao reservatório próximo ao Bauru Shopping, garantindo o abastecimento da região. “A água do Batalha deixa de ser essencial e passa a ser alternativa neste caso”.


Número 35

Por conta da crise crônica de falta de água, que alcançou o auge nos anos de 2011 e 2012, o governo municipal investiu na perfuração de poços. No ano passado, foram entregues quatro deles: Vila Cardia, Bauru 16, Octávio Rasi (em parceria com a iniciativa privada) e Jardim Marambá – todos com vazão superior a 180 mil litros por hora. O poço Nações Unidas 2 é 35º da cidade.

A inauguração desses poços fez com que a participação do rio Batalha no abastecimento da cidade caísse de 40% para 35%. Esta taxa era de 50% há 20 anos. Atualmente, a produção de águas subterrâneas é de, aproximadamente, 2,3 bilhões de litros ao mês.

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) diz que este não é o caminho ideal, pois a água dos aquíferos é finita. Ele pondera, no entanto, que esta foi a solução encontrada para sanar o problema emergencial de falta de água. “Para os próximos 20 anos, temos que pensar em projetos de novas Estações de Tratamento de Água (ETAs)”, afirma.


Outro poço deve ser entregue em maio

Está prevista, para daqui a 45 dias, a inauguração de um poço perfurado pela empresa MRV, em contrapartida a dois empreendimentos que serão construídos próximos ao Sambódromo. Com vazão de 200 mil litros por hora, o poço vai atender também aos bairros Jardim Manchester, Santa Terezinha, Tangarás e Bauru 25.

O DAE pretende ainda perfurar três poços ao longo de 2013. A licitação para a construção do poço Zona Norte está aberta desde o dia 26 de março. Seu abastecimento vai abranger a Vila Garcia, Jardim Helena, Parque Roosevelt, Jardim Petrópolis, Beija Flor e Jardim Godoy.

O DAE promete, em um mês, abrir a concorrência para o poço Roosevelt III, que vai reforçar o abastecimento no Fortunato Rocha Lima, Parque Jaraguá, Parque Santa Edwirges, Jardim Petrópolis, Parque Roosevelt, Jardim Progresso, Gerson França, Parque União, Jardim Rosa Branca e Jardim Vânia Maria.

Em setembro do ano passado, o revestimento de aço do Poço Roosevelt II, com vazão de 139 mil litros por hora, se rompeu, permitindo a entrada de areia no sistema e, consequentemente, travamento da bomba. Cinco dias depois, ele voltou a operar de forma provisória após conserto paliativo, produzindo 105 mil litros de água por hora.

Após consulta ao Departamento de Águas e Energias Elétricas (DAEE), foi apontada a necessidade de perfuração de um novo poço no local, em substituição ao existente, com o intuito de ampliar a capacidade de abastecimento na região.

Já a licitação para o poço Val de Palmas, para atender o Bauru XVI, Jaraguá, Nove de julho, Nova Esperança e Roosevelt, ainda está em fase de elaboração de edital.

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