O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que o Banco Central poderá elevar a taxa básica de juros, se necessário, para conter a dispersão dos preços e com objetivo de domar as expectativas.
“As medidas que forem necessárias pelo governo, não titubeamos em tomar medidas, inclusive posso dizer que mesmo as medidas que são consideradas menos populares são tomadas, por exemplo, em relação às taxas juros quando isso é necessário”, disse Mantega. O ministro afirmou ainda o calendário político não influencia as decisões de política monetária.
“Se vocês olharem ao longo do tempo, nós elevamos juros em véspera de eleição, por exemplo em 2010 nós elevamos taxa de juros. Portanto, não nos pautamos por calendário político”, comentou Mantega durante palestra.
As declarações foram feitas após a divulgação de índices de preços mostrando que a pressão não arrefece.
O Índice Nacional Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,47 por cento em março, estourando o teto da meta em 12 meses ao atingir 6,59 por cento, mas reduzindo o índice de dispersão para 69 por cento, contra 72,3 por cento em fevereiro.
O mercado futuro de juros está precificando elevação de 0,25 ponto percentual da taxa básica Selic já na próxima semana, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne.
Tomate
De acordo com o ministro, a preocupação com o aumento da inflação ocorre em função, principalmente, da alta dos preços dos alimentos. Segundo ele, o choque de oferta provocado pela seca do ano passado nos Estados Unidos e no Brasil encareceu as commodities.
Além disso, os alimentos como o tomate, a cebola e a farinha de mandioca foram afetados pela a irregularidade de chuvas. “Estamos já terminando o regime de chuvas e entrando nas safras, que vão despejar toneladas de alimentos (no mercado)”, ressaltou o ministro.