Política

Instalação de hidrantes agora será terceirizada

Vinicius Lousada com Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.

28 hidrantes estão estocados no DAE aguardando uma solução para sua instalação

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) decidiu recorrer à terceirização para tentar sanar um dos problemas crônicos da segurança: o déficit de hidrantes necessários para garantir a segurança mínima ao município. Na próxima semana, ele se reúne om o presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Giasone Cândia, para tratar do assunto. Atualmente, a autarquia é responsável pela instalação e manutenção da rede.

Isso deve mudar por, basicamente, dois motivos. Mesmo com um estoque de 28 hidrantes, como mostrou reportagem do JC publicada no dia 25 de março, o DAE não tem pessoal para executar esse serviço. “Eu não posso deslocar as equipes que estão consertando vazamentos para isso”, justifica o prefeito.

Além disso, muitos dos locais considerados estratégicos, apontados por estudo do Corpo de Bombeiros, não possuem rede de água com vazão suficiente para a instalação do dispositivo de segurança, ausente, inclusive, nos distritos industriais, como apontou o JC já em 2011.

Por conta disso, segundo Agostinho, a contratação de empresa via licitação não vai focar apenas a instalação dos hidrantes, mas a troca da rede. “Não é só trocar dois metros de canos. Precisa ligar o ponto do hidrante até a adutora. Isso é incompatível com a estrutura do DAE”, explica.

Os equipamentos só podem ser colocados em locais onde a rede tem diâmetro de 100 milímetros (4 polegadas). A maior parte da rede de Bauru tem apenas 2 polegadas.

Mais 5

A cidade tem déficit de 105 hidrantes, de acordo com levantamento do Corpo de Bombeiros. Atualmente existem 121.

Entre o final de março e o começo de abril, o DAE instalou cinco hidrantes. Dois deles na rua Doutor Arnaldo Prado Curvello, no Distrito Industrial 2.  Um na rua Rizik Eid Gebara, Parque Giansante, e outro na rua Ademir Turato Pereira, no Distrito Industrial 1.

O quinto dispositivo de segurança foi instalado na rua Joaquim Augusto da Costa, no bairro Nova Bauru, ao lado da rodovia Bauru-Iacanga. No dia seguinte, porém, o hidrante foi alvo de vandalismo. De acordo com o diretor da Divisão Técnica do DAE, Manuelino Câmara Filho, a tampa de ferro do equipamento foi furtada e a base de alvenaria construída no local estava danificada. Apesar do ocorrido, o dispositivo já está pronto para funcionamento.


De onde eles vêm?

Desde 2010, uma lei municipal prevê que as empresas doem um “kit hidrante” para ser instalado em pontos específicos do município, o que vem gerando discussão e até pauta da Câmara Municipal, nos últimos meses.

A legislação atualmente prevê que as empresas com área construída igual ou superior a mil metros quadrados devem doar um hidrante com todos os acessórios necessários para sua instalação, seguindo padrão da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), ao Serviço de Atividades Técnicas do 12º Grupamento de Bombeiros de Bauru. A empresa que não fizer a doação não recebe a certidão de “habite-se”.

Mas, sem rede para instalar os dispositivos, a Prefeitura de Bauru tentou mudar a exigência do tamanho das edificações para a partir de 5 mil metros quadrados.

A medida, que gerou debate sobre a ineficácia da regra em relação ao patamar de segurança contra incêndio nas ruas, foi barrada pelos vereadores.

O kit hidrante, que deve ser doado uma única vez pelas empresas, custa cerca de R$ 4,5 mil e pode ser comprado em lojas especializadas em saneamento básico.


Onde tem, não funciona

Como mostrou o Jornal da Cidade, o mau funcionamento de um hidrante durante um simulado de incêndio, realizado no último dia 8, em uma empresa de produtos de papelaria na manhã de ontem, na Vila Cardia, em Bauru, causou preocupação ao Corpo de Bombeiros.

Ao final da simulação, os agentes realizaram um teste para verificar o funcionamento do hidrante mais próximo à Tilibra e constataram que o equipamento, assim como vários outros espalhados por toda a cidade, está inutilizado por conta da falta de pressão de água, ocasionada pela vazão insuficiente da rede de abastecimento.

“Em uma situação de incêndio, teríamos que enfrentar o trânsito da cidade e buscar água em outro local, o que poderia levar mais tempo e colaborar para o aumento da proporção do fogo na empresa, que é cercada por um material que possui alta propagação”, comentou o subcomandante do Corpo de Bombeiros, major Rogério Gago.

“Infelizmente, ainda carregamos a água nas costas no Brasil”, completa o subcomandante, enfatizando que, justamente, pensando na deficiência do sistema público de hidrantes, o Corpo de Bombeiros adquiriu recentemente um caminhão com capacidade para 20 mil litros, que é acionado em situações emergenciais.

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