Tribuna do Leitor

O ministro, a OAB e a ética dos advogados


| Tempo de leitura: 4 min

Li atentamente a recente controvérsia entre a OAB e o Ministro Joaquim Barbosa, Presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, em virtude de o eminente ministro divulgar na mídia que há conluio entre advogados e juízes. A OAB-SP, através do seu Presidente Dr. Marcos da Costa, reagiu contra os dizeres do ministro por entender que generalizar poderia denegrir a imagem da categoria: "sobre suposto "conluio entre juízes e advogados" - equivocada, generalista e que não para o fortalecimento da Justiça."

Dentre as manifestações pela democrática Tribuna do Leitor achei interessante duas missivas publicadas no mesmo dia 22 pp. Uma, de autoria do Uriel Villas Boas, na qual o missivista critica o ministro por entender que a "polêmica declaração do ministro Joaquim Barbosa" além de importar em "repercussão negativa nos meios de comunicação" também pauta na "generalização". A outra, da Anita M. S. Driemeier, defende o ministro por entender que "Todos os cidadãos de bem do Brasil sofrem com o desesperador regime de corrupção assumido descaradamente pela administração petista" e depois de frisar que "A corrupção está estampada nos três poderes" concebe que nesse contexto é do ministro Joaquim voz que se levanta "contra essa realidade" e que ninguém deve ser omisso.

Entretanto, é preciso dizer de antemão que o desvio de conduta não se dá somente na advocacia. Existe em todas as atividades, públicas ou privadas. Destaco aqui as dificuldades encontradas também pelos próprios jornalistas quando fazem as suas matérias e esbarram nos profissionais "do outro lado do balcão", ou, como bem explicitado pelo competente repórter do JC e especialista em Linguagem, Cultura e Midia, Vitor Oshiro (JC do dia 23/3/2012, p. 2): "Muitas assessorias se comportam como uma barreira - quase que intransponível - entre o jornalista, a notícia e a fonte".

De minha parte, entanto, para não ser omisso e nem deixar de seguir as recomendações do Presidente da OAB-SP, Dr. Marcos da Costa e dos ilustres missivistas ilustro no momento com um caso concreto em que o meu colega de profissão, Dr. João Antônio Bezerra, OAB-SP n. 136.836, com escritório na cidade de Cafelândia, SP, recebeu em seu escritório (e não faz muito tempo) um cliente meu que havia se mudado da cidade de Jaú para a sua cidade, e, peticionou no processo trabalhista suspenso pela MM. Juíza titular da 4a Vara do Trabalho desta cidade, em virtude de os autos estarem com Agravo no E. Tribunal Superior do Trabalho; e, sem qualquer contato comigo, o colega revogou a minha procuração sob a alegação de que eu não dava informação do processo e os "amigos" do então meu cliente já haviam recebido e ele não; ou seja, ignorou por completo o meu telefone, e-mail e endereço constantes dos autos do referido processo.

Enfim, não levou em consideração os riscos que corri, o contrato que tive com o cliente, o trabalho árduo, os gastos e os contratempos... Aliás, está claro que o Dr. João resolver colher onde não plantou, cuidou e muito menos cultivou... Impiedosamente liquidou com os meus honorários advocatícios por ter recebidos os valores de forma rápida e que giram em torno de quatro mil reais sem dar qualquer satisfação até o presente momento mesmo depois de eu ter peticionado nos autos assim que tomei ciência do que estava acontecendo.

Em tal sentido, dá para acreditar que esse seja um profissional de Direito? Não é lógico pensar sobre o que ele fez, faz ou poderá fazer com alguém sem conhecimento jurídico? Esteve ou está, o Dr. João, preocupado com a responsabilidade solidária, demanda temerária, suspensão ou cassação da sua inscrição na OAB? Finalmente, agradeço a existência desse generoso espaço democrático e entendo que não foi por acaso que o nosso querido e competente presidente da nossa subseção, Dr. Alessandro Bien Cunha Carvalho, ao final da entrevista concedida por ele à jornalista Ana Paula Pessoto (JC de 27/01/2013, p. 14) frisou com muita propriedade ao ser indagado sobre "Como você avalia o advogado atual? Eu acho que o advogado deve preservar o seu nome e se preocupar com os colegas, ter respeito por eles..." E arremata com precisão: "Está faltando ética na profissão, e acho que é possível resgatar isso."

José Quaglio - OAB-SP 71.930

Comentários

Comentários