Após oito dias de paralisação, ontem de manhã, cerca de 180 funcionários do setor de solda da fábrica da Volvo em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) retornaram ao trabalho. Em assembleia realizada momentos antes, eles aceitaram proposta da empresa de melhorias no plano de cargos e salário e pagamento de vale-alimentação.
Desde o final de março, a categoria tenta negociar com a direção da Volvo (leia mais abaixo). Os trabalhadores do setor de solda defendiam a criação de terceira faixa de salário (atualmente, existem os cargos de soldador 1 e 2, seguido do especializado, com diferença a maior de 25% no salário, ou R$ 1 mil) e o pagamento de vale-alimentação.
As reivindicações foram aceitas pela empresa, que se comprometeu a criar o cargo de soldador 3, com um acréscimo de 10,5% no salário em relação ao soldador 2, e pagar vale-alimentação de R$ 250,00 a partir do dia 1º de maio. A Volvo também concedeu quatro meses de estabilidade para grevistas. O JC enviou e-mail à empresa, mas não houve retorno.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Pederneiras, o funcionário deverá completar cinco anos na função de soldador 2 para ser promovido à categoria 3. Atualmente, 80 colaboradores se enquadram nessa situação. Apesar dos avanços, a empresa não aceitou reintegrar os 25 demitidos no início do mês. O caso está sendo avaliado pelo Jurídico do sindicato.
Relembre o caso
Os trabalhadores do setor de solda haviam feito uma paralisação espontânea nos dias 25 e 26 de março para ‘forçar’ uma negociação com a direção da Volvo. Na ocasião, metade dos trabalhadores do setor de produção também aderiu à greve.
Uma comissão de trabalhadores foi formada para negociar com a direção da empresa. Os funcionários compensariam os dias parados nos sábados enquanto a diretoria analisaria as propostas, com a garantia de retorno ao trabalho.
Apesar do retorno, entre 1 e 2 de abril, 25 colaboradores foram demitidos, incluindo cinco membros da comissão de negociação e grevistas. No dia 8, mesa-redonda entre sindicato e Volvo no Ministério do Trabalho terminou sem acordo.
No mesmo dia, os trabalhadores do setor de solda decidiram iniciar a greve. A empresa solicitou audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em Campinas, agendada para o dia 11. Novamente, não houve acordo e a greve continuou.
Com a apresentação da nova proposta pela Volvo, ontem, os funcionários votaram pelo retorno ao trabalho.