Estou aqui, à beira do Ribeirão Grande, pela rodovia Bauru/Jaú, entrando no km 218, sou um distrito do município de Pederneiras, no centro do Estado de São Paulo, hoje rodeado pelo plantio de cana de açúcar e álcool, em terras muito produtivas, que no passado eram cultivadas com arroz, feijão, milho, algodão e as pastagens com milhares de bovinos para corte e leite.
Aqui, antigamente, nas propriedades rurais, existiam muitos moradores que trabalhavam a semana inteira e vinham no sábado e domingo para me visitar.
Eu era movimentado, tinha mercados, açougues, farmácia, o clube Paulista, onde haviam animados bailes, pontos de encontro dos casais que foram se casando, seus filhos nascendo, crescendo e estes não mais querendo viver da roça, resolveram me abandonar aos poucos, mudando-se para as cidades de Bauru, Pederneiras, São Paulo etc...
Eu senti muito o êxodo rural, pois eu não tinha bons empregos para oferecer aos meus moradores, que aqui nasceram e estudaram o primário no Grupo Escolar, com boas professoras inesquecíveis.
O que me deixa feliz é que todos os que passaram por mim não me esquecem jamais, eu sempre acolhi muito bem a todos, não só os meus filhos que aqui nasceram, mas também aqueles visitantes à procura de negócios, que vinham de todos os lados, seja a cavalo, de carro, caminhão ou pelo trem da antiga Paulista, sem contar os pescadores que levavam muitos lambaris do Ribeirão Grande.
Eu não me lembro mais dos nomes dos meus antigos moradores e frequentadores, eu só me recordo dos sobrenomes das enormes famílias que por aqui ainda vivem, ou ainda possuem propriedades, e aos que também comparecem anualmente, na festa em louvor à São José e Santa Luzia, mas tem também aqueles, que há tempos não me visitam, venham me fazer uma surpresa.
Aproveito para dar-lhes um recado: se todos vocês vierem até mim, no mesmo dia, não caberão mais nas minhas dependências, pois continuo pequeno, só o coração enorme, fico honrado e feliz de ter sido o berço de pessoas importantes, estou com saudades e mando as melhores lembranças aos familiares dos Pereiras, dos Arantes, dos Gonçalves dos Santos, dos Orestes, dos Svizzeros, dos Alves, dos Miras, dos Rinaldos, dos Garcias, dos vieiras, dos Jonas, dos Falcão, dos Baraúnas, dos Alvarez, dos Marafiotis, dos Zaninotos, dos Blays, dos Figueiredos, dos Peixotos, dos Dutras, dos Pastoris, dos Souzas, dos Silvas, dos Biasins, dos Travains, dos Rossis, dos Maltas, dos Leões, dos Burtinis, dos Bicudos, dos Limas, dos Manfrins, dos Kennerlys, dos Borges, dos Carneiros, dos Araújos, dos Arrudas, dos Bonetes, dos Camargos, dos Coracinis, dos Ferreiras, dos Firminos, dos Oliveiras, dos Rodrigues, dos Rigonatos, dos Capriolis, dos Grijos, dos Marcons...
Meus filhos de Guaianás, me desculpem se por acaso eu deixei de mencionar o sobrenome da sua família, mas é que foram tantos que passaram por mim que se torna impossível me lembrar de todos. Espero suas visitas, entre Bauru e Pederneiras, agora dizem que estou ajeitadinho, bonitinho, asfaltado, limpo e acolhedor.
João Ulisses Gonçalves