O senador Aécio Neves (PSDB-MG) fez coro ontem com o governador Eduardo Campos (PSB-PE) ao chamar de “casuística” a ação do governo no Congresso para dificultar a ação de novos partidos.
Aécio e Campos são pré-candidatos à Presidência da República. O mineiro é opositor do governo, e o pernambucano, embora ainda esteja na base de apoio da presidente Dilma Rousseff, procura cada vez mais se desgarrar dela.
Projeto aprovado na Câmara dos Deputados nesta semana sob pressão do Planalto restringe o acesso de novos partidos ao fundo partidário e ao tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV. A proposta seguiu para o Senado.
“O governo deu uma demonstração de grande receio com o processo eleitoral. Poucas vezes se viu o governo agir de forma tão casuística, tão dura no processo legislativo”, disse Aécio.
Fica Serra
Além de querer se aliar a Campos, a direção da MD quer ter nos seus quadros o ex-governador José Serra (PSDB-SP), desafeto de Aécio.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tenta convencer Serra a ficar no PSDB, embora ele tenha negado, após encontro com Aécio em BH ontem, que esteja atuando neste sentido. “O Serra tem idealismo político suficiente para sentir o momento”, afirmou. FHC disse, contudo, que “talvez não tenha ninguém melhor preparado” do que Serra para presidir o país, mas que isso apenas não basta. “A questão eleitoral é um pouco diferente disso, ele tem que dar tempo ao tempo.”