Uma família francesa sequestrada há dois meses no norte de Camarões, incluindo quatro crianças com idades entre cinco e 12 anos, foi libertada na noite desta quinta-feira (18). O presidente François Hollande disse, em comunicado, estar "imensamente aliviado" com a libertação e garantiu que o seu governo, que tem outros oito cidadãos reféns de grupos armados locais, não pagou qualquer resgate.
Tanguy Moulin-Fournier, funcionário da companhia elétrica francesa GDF Suez, seu irmão, a mulher, Albane, e do irmão, Cyril, e os quatro filhos foram sequestrados quando regressavam à capital de Camarões, Yaondé, após uma viagem de férias ao parque nacional Waza, no norte do país.
A zona fica próxima da fronteira com a Nigéria e, em um vídeo divulgado dias após a captura, os reféns diziam estar em poder do Boko Haram, grupo que reivindica a criação de um estado islâmico naquela região. Na gravação, os sequestradores exigiam a libertação de companheiros presos em Camarões e na Nigéria.
A libertação foi anunciada pelo presidente camaronês, Paul Biya. A família foi levada sob forte escolta para a embaixada francesa na capital.
"As crianças estão bem. Estamos tão felizes por poder regressar" disse à agência de notícias AFP Moulin-Fournier, já em Yaondé.
O chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, partiu de imediato para os Camarões com a missão de trazer a família de regresso a França. Em Paris, Hollande agradeceu a colaboração das autoridades camaronesas e nigerianas, sem adiantar mais pormenores, dizendo que a discrição é essencial para garantir a eficácia deste tipo de negociações.
Ao ser questionado sobre o pagamento de um eventual resgate, porém, o presidente foi contundente, reafirmando o princípio que estabeleceu no início do seu mandato e que corta com uma prática que durante anos serviu para financiar os grupos jihadistas no norte de África: "A França não paga resgates".