Dez meses após a destituição do presidente Fernando Lugo num contestado processo de impeachment, os paraguaios vão às urnas hoje para colocar novamente no Palácio de López um presidente eleito pelo voto.
O Paraguai, suspenso pelo Mercosul e a Unasul depois da queda de Lugo, se apoia no pleito para demonstrar que é uma democracia.
Além de marcar a posição do Paraguai de respeito à Constituição, as eleições podem significar o retorno ao poder do conservador Partido Colorado, que governou o Paraguai por 60 anos ininterruptos, entre 1948 e 2008.
O candidato do partido, o empresário Horacio Cartes, lidera a maioria das pesquisas de intenção de voto - algumas com vantagem de até 14 pontos percentuais.
As pesquisas no país, contudo, são pouco confiáveis e tornam o resultado imprevisível. Enquanto numa delas, da Grau & Associados, Cartes aparece com 45,3% dos votos contra 31,2% do liberal Efraín Alegre, na do Gabinete de Estudos de Opinião (GEO), o colorado é ultrapassado pelo opositor, num cenário de 36,7% a 34,8%.
Para analistas, a vitória será de quem conseguir levar mais eleitores às urnas hoje. Isso porque, apesar de a votação ser obrigatória para os mais de 3,5 milhões de eleitores, a taxa de abstenção é sempre muito alta. Nas últimas duas eleições, 35% dos eleitores não foram votar.
Os colorados já demonstraram mais capacidade de mobilização. Nas eleições internas dos partidos, que definiram os candidatos à Presidência, os colorados conseguiram fazer com que 45% de seus eleitores votassem, contra 38% dos liberais.
Para o analista político Alfredo Boccia, pesará contra os liberais também o fato de terem encampado o julgamento político contra Lugo.
Foi o então vice-presidente, o liberal Federico Franco, que apoiou o impeachment e assumiu o poder logo após a destituição do esquerdista (que apoia Aníbal Carrillo, um candidato nanico).
“Os liberais são vistos como golpistas pela esquerda, de quem poderiam receber votos, não fosse a decisão tomada em junho passado para governar por 14 meses”, avalia Boccia.
Se eleito, Cartes, 56 anos, assumirá sob a sombra de possíveis ligação com atividades ilícitas. Dono de 26 empresas, seu nome aparece em telegrama da diplomacia americana de 2010, vazado pelo WikiLeaks, supostamente ligado a uma rede de lavagem de dinheiro e narcotráfico.
Nos anos 80, foi detido acusado de obter dólares a um preço preferencial do BC. Sua defesa alega que ele nunca foi processado pelo caso.