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Carandiru: promotoria fala em armas plantadas

Folhapress
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O promotor Fernando Pereira da Silva encerrou sua fala no começo da tarde de onte, no julgamento do Massacre do Carandiru, levantando suspeita sobre as armas apreendidas pelos PMs ao dizer que a polícia planta armas de fogo em cenas de crimes.


No final do discurso, Pereira falou de casos em que foi constatado que a polícia plantou armas de fogo em cenas de crimes. A intenção é mostrar que era hábito da corporação plantar armas e indicar que o mesmo foi feito na ação da polícia no Carandiru, quando foram supostamente encontradas 13 armas com os presos.


“Não me venha dizer que não é hábito dos maus policiais plantar armas para ajustar a cena do crime”, disse. “Eles plantaram 13 armas para justificar um massacre. Não tenho restrição à polícia, não é a polícia que está no banco dos réus.”


Durante o seu discurso, o promotor Fernando Pereira da Silva pediu a absolvição de três policiais militares. Segundo Pereira, os réus Eduardo Espósito e Maurício Marchese Rodrigues não participaram da ação e não eram da Rota (tropa de elite da corporação), e sim do Canil.


O promotor destacou que eles não entraram nos corredores do segundo pavimento do pavilhão 9 e, por isso, não tiveram participação nas 13 mortes que ocorreram no local. “Eles ficaram nas escadas, dando proteção à tropa. A ação de ambos não ocorreu no interior daquele pavimento”.


Pereira também pediu a absolvição do policial militar Roberto Alberto da Silva desse processo e que ele fosse julgado posteriormente no bloco que agrega PMs que atuaram no terceiro pavimento. O motivo: os policiais julgados durante essa semana são os que invadiram o segundo pavimento e Silva participou da invasão no terceiro pavimento.


Os debates entre a promotoria e a defesa dos 26 PMs envolvidos no Massacre do Carandiru começaram na manhã de ontem. Os policiais são acusados de matar 15 presos durante o motim que resultou na morte de 111 presidiários, em 1992.


Tanto a acusação quanto a defesa tiveran 3 horas para realizar o debate. De acordo o Tribunal de Justiça, após o debate, os jurados deverão decidir se os policiais serão condenados ou não pelo massacre. A decisão era esperada para a a na madrugada de hoje.


Ao todo, 24 PMs foram chamados para depor, mas 20 não quiseram se defender e usaram o direto de permanecer calados. Eles afirmaram que seguiram orientação da advogada Ieda de Souza e, também, uma forma de não cansarem os jurados. Outros dois policiais, porém, não compareceram em nenhum dos dias de júri. Outros três julgamentos de outros policiais acusados pelas 111 mortes de detentos durante a invasão deverão ocorrer.

 

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