O cidadão comum, quando acusado, indiciado por um delito ou crime qualquer, praticado no exercício de sua profissão, geralmente vai responder pelo que fez, vai ser julgado. Um cidadão, certa vez, veio a mim com estas palavras: "Pratiquei uma transgressão muito grave, vou sair do meu emprego. Assim, ficarei livre de responder pelo que fiz, não serei julgado. Ficarei ?livrinho livrinho?. Passado um pouquinho de tempo, voltarei ao mesmo serviço ou a outro semelhante. Eu não sou bobo não!" Mas foi processado assim mesmo.
Mas quanto ao cidadão eleito, se acusado de transgressão, mesmo que grave, praticada no exercício do mandato, a coisa é diferente. Ele renuncia ao mandato e tudo termina bonitinho. Acaba a acusação, ele fica "livrinho livrinho", cidadão no gozo de todos os seus direitos. Até volta a candidatar-se, e, frequentemente, é reeleito. Isso ocorre em nosso País. "Engraçado", para não dizer: lamentável.
Euclydes de Carvalho