Tribuna do Leitor

Sinal vermelho


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Lendo o artigo "Sinal Amarelo", escrito pelo senhor Edson Valentim de Freitas Filho e publicado na coluna Opinião deste jornal no dia 18/4/2013, fiquei deveras preocupado com a corrente situação de Bauru. Não tanto pelo panorama exposto, mas sim pela torrente de desinformação que impera na Cidade Sem Limites, e que ficou transparecido no texto. Antes de qualquer coisa, quero esclarecer que não possuo nenhuma ligação partidária ou ideológica com o atual governo federal ou municipal, grupo pelo qual não tenho simpatia alguma. Mas fico extremamente preocupado com algumas incorreções apresentadas no texto sobre o qual essa missiva versa.

Embora seja feita uma pequena ressalva no final do artigo, o texto leva o leitor incauto a crer que os inúmeros problemas que a população de Bauru enfrenta são decorrentes da má administração do atual prefeito, que, "reativo" e "sem controle sobre seus assessores", segue à frente de um barquinho furado rumo ao inevitável desastre. Tomadas de decisão e recuos são expedientes normais em qualquer organização, seja pública ou privada, e, a meu ver, não são fatores que necessariamente desabonem um administrador, afinal ninguém sabe tudo. A questão citada da Fundação Regional de Saúde é um bom exemplo de como a interação entre os poderes Executivo e Legislativo é fundamental. Como se pode ver no caso em tela, os próprios vereadores da base governista mostram como defender os interesses da população quando a proposição do prefeito não parece, à primeira vista, a mais acertada.

A alardeada "novela" da Cohab é outra situação que deixa margem para questionamento da ciência que se tem sobre o panorama da atuação da atual equipe de governo municipal nesta frente. Enquanto se afirma que nada foi feito pela administração, parece que, convenientemente, foram esquecidas as inúmeras reuniões entre a direção da Cohab, a Caixa Econômica Federal e mesmo representantes do governo federal, visando uma solução ao impasse que vem, realmente, de décadas de descaso e má administração. Aparentemente era esperada uma solução mágica de Rodrigo Agostinho para mais esse problema.

O também citado problema da falta d?água, com rompimento da tubulação (muito antiga e inadequada para os atuais padrões de utilização), é mais um "abacaxi" que caiu no colo da atual equipe do executivo municipal. Devo dizer que é realmente desgastante a situação, pois sei quantas vezes passei por apuros sem uma gota d?água para realizar as atividades mais elementares do dia a dia.

Mas é válido lembrar que os canos e tubos não envelhecem em apenas 4 anos, e, por mais que seja o sonho de todos a realização da substituição desses ineficientes dutos do precioso líquido, ele é economicamente inviável, recordando que a cidade tem muitas outras necessidades. E ações visando novas fontes de captação de água tem sido tomadas, tanto que até eu, um leitor não muito assíduo de jornal, li sobre isso.

Chegando ao ponto que suscitou a ideia da redação deste texto, tem-se o emblemático e persistente quadro da dengue no nosso município. Concordo que é uma lástima ver toda a movimentação e "corre-corre" para mobilizar a população "depois que a epidemia já se alastrou", mas fico me perguntando o que é esperado que se fizesse nessa situação.

As campanhas são feitas aos montes, os agentes visitam as residências, encontram inúmeros criadouros, notificam os proprietários e eu testemunhei diversas vezes este ano ações de prevenção com veneno e limpeza de terrenos para tentar minorar a preocupante epidemia. Mas o que mais uma vez deixou de ser atalhado é que uma boa parte da própria população simplesmente não se conscientiza de que é dela o papel fundamental de zelar, no âmbito doméstico, pela não existência de condições para o mosquito se desenvolver.

Enfim, Rodrigo Agostinho está muito longe de ser um prefeito exemplar, mas tem tomado decisões acertadas na medida do possível, econômica e administrativamente falando. E parece que a população concorda com isso.

Afinal, uma aprovação de 82% dos votos válidos (e 75% de todos os votos, contando brancos e nulos) não é algo a ser desprezado e é um sinal de que, mesmo com as "trombadas" que o rapaz tem dado, ele ainda é bem melhor que o que a cidade testemunhou nos últimos 20 anos ou mais.

Allan Rodrigo Dias

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