O candidato do Partido Colorado, Horacio Cortes, foi eleito neste domingo (21) o novo presidente do Paraguai. Com 50% das urnas apuradas, o empresário conservador aparecia com 45,9% dos votos, contra 36,8% do liberal Efraín Alegre, apoiado pelo atual presidente do país, que reconheceu a derrota no início da noite.
Não há segundo turno no país. A participação foi de 66,8%, índice um pouco mais alto que na eleição de 2008.
Desde as 17h (18h de Brasília), quando pesquisas de boca de urna apontavam uma vantagem de mais de 14 pontos percentuais para Cartes, colorados já tomavam as ruas da capital, Assunção, buzinando e soltando fogos.
Em frente à sede do Partido Colorado e ao escritório da campanha de Cartes, apoiadores, vestidos de vermelho e com bandeiras do partido, já festejavam o retorno ao poder, após cinco anos.
O partido conservador governou o Paraguai por 60 anos, entre 1948 e 2008.
A uma rádio, o novo presidente afirmou, mesmo antes de ter sido confirmado vencedor, que sabia, desde a disputa interna do partido, que iria vencer.
“Vínhamos acompanhando, desde as internas, o nosso sistema, e víamos desde o início mesmo [a vitória]”, disse Cartes.
A tranquilidade da eleição só foi quebrada por uma declaração do vice-presidente do TSJE (Tribunal Superior de Justiça Eleitoral), Juan Manuel Morales, que “antecipou” a vitória colorada.
Faltando mais de cinco horas para o fechamento das urnas, ele afirmou que os resultados já apontavam um vencedor, e que a tendência era “irreversível”. O presidente do TSJE, Alberto Ramírez Zambonini, logo desautorizou as declarações.
O tradicional Partido Colorado, de imagem ligada à ditadura do general Alfredo Stroessner (1912-2006), apostou na promessa de um “novo rumo para o Paraguai”.
Muitos eleitores justificaram o voto Cartes pelo desejo de mudança. “Os governos que vieram depois dos colorados acabaram com o país. Precisamos de mudança”, disse Rosa Aguada, 50, funcionária de um supermercado, após votar em Cartes.
Nem mesmo as acusações de ligação com o narcotráfico e lavagem de dinheiro que pairam sobre o empresário afastaram os eleitores.
“Todos são inocentes até que se prove o contrário, e nunca provaram nada contra ele”, disse o pedreiro Fernando Alarcón, 46.