Trazendo este conceito para nosso cotidiano profissional, pensar em rede, faz nos remeter a um conjunto de sistemas organizacionais capazes de reunir indivíduos e instituições, de forma democrática e participativa, em torno de objetivos comuns. E, no plano das políticas públicas, a rede socioassistencial constitui-se de ação articulada e integrada, visando o apoio e a proteção social, destinadas aos usuários dos serviços sociais, através da proteção e atendimento aos seus direitos.
Seria meramente impossível dizer que os municípios tenham, em suas ações cotidianas, todas as expressões da questão social trabalhadas, num contexto de totalidade e transformação social. Na verdade, acreditamos que as organizações temem o trabalho em rede, pois, através das trocas de informações, são diagnosticados inúmeros fatores ainda não trabalhados, e que as instituições, de modo particular e individual, não dariam conta, pelo número de demanda existente.
Ainda há que se ressaltar que as preocupações por essa questão são outras, como por exemplo: "De quem é o papel". Essas atitudes e preocupações só vêm reforçar as ações negativas de descumprimento de leis e papeis. Por isso, se o problema existe, por que tapar os olhos e não enxergar que, na realidade o dever também é nosso, de buscar soluções concretas para a transformação desta realidade posta.
Vale ressaltar que, num futuro tão próximo, esta realidade estará refletido em todos nós. Se os órgãos competentes não estão visualizando as expressões existentes no cotidiano, é papel da rede garantir que os mesmos passem a vislumbrá-lo, de forma que busquem estratégias para o seu enfrentamento.
Encontrar o papel mais adequado a cada organização no conjunto de articulações possíveis é um desafio a ser superado pela sociedade atual. As reformas pelas quais a sociedade tem passado levam à redução das responsabilidades do Estado no campo das políticas públicas, o que tem significado uma deterioração dos serviços sociais desta natureza, comprometendo a qualidade e também a equidade dos mesmos.
Deste modo, o caminho das mudanças faz-se extremamente lento e contraditório, tanto em relação às propostas políticas, quanto à superação dos limites impostos por essa conjuntura, caminhando na contramão dos direitos sociais.
Ações pontuais e desarticuladas não conseguiram, e nunca conseguirão, alterar a dinâmica das vulnerabilidades sociais a que os usuários dos serviços sociais ficavam e ficam sujeitados. Faz-se necessário e imprescindível ter uma visão "além muros". Esse conhecimento potencializará a ação da rede de atendimento com o usuário da política social.
A construção da história das políticas sociais foram feitas e baseadas, muitas vezes, na omissão. Omissão de valores e necessidades humanas, as quais nos levam a pensar em uma política focalista e meramente deficitária, de ações de caráter humanitário, que atendam as reais necessidades da população usuária, baseando-se ainda em resultados insatisfatórios e porcentagens talvez enganosas de superação da pobreza.
Engano. Elas estão apenas mascaradas e dependentes de muitos programas ineficazes. Se os municípios não observarem suas particularidades e não vislumbrarem a necessidade de uma articulação da rede sócio assistencial, todo o trabalho e ações já realizadas não terão sucesso e a nossa sociedade sofrerá as consequências de um trabalho desarticulado, competitivo e individual.
A autora, Fernanda Varandas Mussi, é docente do Centro Universitário de Bauru - Instituição Toledo de ensino - ITE. Assistente Social/Coordenadora do Centro de Formação da Criança e do Adolescente de Igaraçu do Tiete - Projeto Vida, graduada pela Faculdade de Serviço Social - ITE